Taís Araújo diz em palestra temer pelos filhos negros por causa do racismo no Brasil

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Já percebeu que um negro ou uma negra que se torna celebridade acaba criando um desconforto enorme em muita gente? A atriz Taís Araújo, a jornalista (e “garota do tempo”) do Jornal Nacional, Maju (Maria Júlia Coutinho), a jornalista e co-apresentadora do Globo Repórter Glória Maria, o ator Lázaro Ramos, o cantor Carlinhos Brown são apenas alguns exemplos dos mais odiados nas redes apenas por causa de suas cores.

O número de agressões verbais de cunho racista para essas pessoas é imenso. O preconceito pode até ser suavizado com um “ah, mas eu não sou preconceituoso! Meus avós/familiares/antepassados são pretos”, mas essa pessoa ainda mantém o comportamento racista, disfarçado de liberdade de expressão.

Já é complicado ter jogo de cintura para lidar com os racistas, defender os filhos e imaginar o futuro deles então, é quase desesperador. Taís Araújo que o diga. Ela é mãe de dois lindos filhos, mas já sabe que o futuro para João Vicente, de 6 anos, e Maria Antonia, de 2 anos, não será nenhum pouco lindo, muito menos livre.

Quando eu engravidei do meu filho, eu fiquei muito, mas muito aliviada de saber que no meu ventre tinha um homem porque eu tinha a certeza de que ele estaria livre de passar por situações vivenciadas por nós, mulheres. Teoricamente, ele está livre. Mas meu filho é um menino negro e liberdade não é um direito que ele vai poder usufruir. Se ele andar pelas ruas descalço, sem camisa, sujo, saindo da aula de futebol, ele corre o risco de ser apontado como um infrator, mesmo aos 6 anos de idade.

Disse a atriz, que é envolvida com todas as causas referentes ao combate ao racismo e ao empoderamento da mulher preta, quando se apresentou no TEDxSãoPaulo no dia 12 de agosto e falou sobre o tema “Como criar crianças doces num país ácido”.

Ela afirmou que pensou, quando descobriu o sexo do filho, que ele teria menos problemas no mundo por ser homem – numa sociedade plenamente machista -, mas percebeu que estava errada:

Quando ele se tornar adolescente, ele não vai ter a liberdade de ir para sua escola, pegar uma condução, um ônibus, com sua mochila, com seu boné, seu capuz, com seu andar adolescente, sem correr o risco de levar uma investida violenta da polícia. Ao ser confundido com um bandido. No Brasil, a cor do meu filho é a cor que faz com que as pessoas mudem de calçada, escondam suas bolsas e blindem seus carros. A vida dele só não vai ser mais difícil que a da minha filha.

Taís teme pela filha muito mais do que pelo primogênito. Ela nasceu mulher negra, num país machista e racista onde a taxa de feminicídios contra a mulher branca caiu, mas contra as negras aumentou mais de 54% no último ano.

Abaixo, um trecho da palestra da atriz no TEDxSão Paulo:

 

Na quinta-feira, 16 de novembro, esse vídeo viralizou na internet e advinha o resultado? Preconceito, ataques recheados de ódio e racismo contra Taís Araújo.

No Twitter, uma usuária disse: “O que a Taís Araújo quer? Uma guerra de raças igual a que teve nos Estados Unidos? Onde esse discurso quer chegar? Acho sem coerência vindo de uma atriz que faz parte da elite”.

Outro disparou: “Taís Araújo e o marido, casal vitimista. Faturam milhões em publicidades e agora usam os filhos para se vitimizar”.

Ainda demora para que o Brasil tenho o mínimo de consciência, dignidade e respeito.

Com informações de Perfeito