“No Brasil não tem racismo”: ator negro assaltado é espancado, depois de seguranças o entregarem aos bandidos

Créditos: Divulgação

Ao ver a foto de Diogo Cintra, ator negro, você começa a compreender o que aconteceu. O fato se deu na quarta-feira, 15 de novembro. O rapaz estava próximo ao Terminal de Ônibus Parque Dom Pedro 2º, um dos locais nada seguros de São Paulo.

Tão verdade, que ele tinha acabado de sofrer uma tentativa de assalto e, desesperado, correu na direção dos seguranças do terminal pedindo ajuda. Teria sido melhor se tivesse ido para qualquer outro lugar. Diogo conta em publicação em sua conta pessoal no Facebook, que os seguranças o prenderam e deram-no “de presente” para os bandidos o espancarem.

Durante a noite anterior ao ataque, Diogo havia atuado na peça “O Inferno do Velho Buk”, no Karaokê Augusta. O espetáculo está em cartaz até 12 de dezembro,às terças, à partir das 21h. Logo depois, ele foi para uma festa proporcionada pelo grupo teatral.

Ao voltar para casa, às 5h, Diogo percebeu a aproximação dos bandidos. Eles queriam seu celular e sua carteira. Rapidamente, o rapaz reagiu e correu para o terminal, pois tinha convicção que os seguranças o defenderiam. Mas, só tem um probleminha: Diogo é negro.

Chegando lá, ainda sendo perseguido, eu tentei pedir ajuda pra uma segurança, que virou pra mim e disse: ‘Meu, só corre. Sai daqui’. Eu corri pra pedir ajuda pra outros seguranças que estavam lá. E aí os mesmos homens que me abordaram poucos minutos antes, apareceram – agora em maior número – dizendo que era eu que tinha roubado eles. Os seguranças acreditaram neles sem pensar duas vezes e aí começaram a me segurar com força e violência.

Narra o acontecido o ator, explicando ainda que os seguranças o mandaram calar a boca e o deram de lambuja para os assaltantes.

Eu gritava, tentando argumentar com os caras, dizendo que o celular que eu tinha no bolso era meu e que eu não tinha roubado. Tentei provar isso mostrando o conteúdo que havia no aparelho, mas ele estava descarregado. Mas sempre que eu tentava falar algo, o segurança me mandava calar a boca, assumindo logo de cara que eu era o culpado.

 

Os bandidos levavam, inclusive, cachorros com eles – que morderam o ator -. Quando perguntados pelos seguranças o que fariam com Diogo, eles disseram que o levariam para o rio. Eles apenas anuíram.

O ator conta que só não morreu, porque uma amiga dos marginais pediu misericórdia.

A SPTrans (São Paulo Transporte) afirmou por meio de nota que exigiu que a SPURBANUSS – que administra o Terminal Parque Dom Pedro II – esclareça os fatos, pois não compactuará com racismo.

“A SPTrans repudia quaisquer atos de agressões e racismo e, se comprovadas as denúncias, solicitará o afastamento imediato dos envolvidos”, destacou o órgão.

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) disse, em nota, que o caso já está sendo amplamente investigado pelo 1º Distrito Policial, na Sé. Diogo será ouvido e a polícia utilizará, também, imagens do Terminal Parque Dom Pedro para identificar os criminosos.

Com informações do G1