Precisamos falar sobre feminismo, mas também com empatia e respeito

Jay Morrison via VisualHunt.com / CC BY-NC-ND

Sou feminista. Posso dizer que há alguns anos eu não afirmava isso, e demorei um bom tempo para entender que eu sou, sim. Na verdade, hoje eu acredito que toda mulher no fundo é feminista, mesmo que não saiba. Porque, para mim, feminismo busca, principalmente, o empoderamento feminino e a justiça para as mulheres.

Fui atrás de leituras, conversas com pessoas, e entendi que são várias as vertentes do feminismo. Feminismo liberal, feminismo negro, feminismo radical, entre outros. Mas acredito que todos precisam de duas coisas bem importantes para funcionar e para trazer ainda mais pessoas para o movimento: empatia e respeito.  

Empatia é, basicamente, se colocar no lugar do outro. Se formos falar de um jeito mais complexo, é pensar em como a outra pessoa se sentiria passando por determinada situação, entender o motivo pelo qual a pessoa se comporta de determinada maneira, ou até mesmo considerar que todos têm uma história e motivos para serem do jeito que são.

E quer saber? Acho que está faltando um pouco disso. Acredito fortemente que defender as mulheres, buscar mudanças no fato de que os homens ainda têm muitos privilégios em relação a nós, tudo isso inclui todas as mulheres. E quando eu digo todas, são TODAS mesmo, até aquelas que por algum motivo se diferenciam de mim na forma de pensar, agir, falar sobre feminismo, não falar sobre feminismo, ou qualquer outra coisa.

Nos últimos dias, o caso da atriz Emma Watson chamou atenção. A britânica é feminista, e costuma falar abertamente sobre algumas pautas importantes. Porém, ela foi atacada por algumas mulheres por conta de uma foto que fez para a revista Vanity Fair, em que aparecia de topless. Em resposta, Emma disse que isso apenas reflete como ainda há mal-entendidos sobre o feminismo, que na verdade dá poder de escolha para as mulheres, liberdade.

É esse o ponto! Feminismo é sobre toda mulher ser o que bem quiser, inclusive diferente de mim e de qualquer outra mulher. E isso envolve quase que automaticamente o respeito pelo diferente: opiniões diferentes, jeitos diferentes, estilos diferentes, corpos diferentes. (É algo tão complexo, que envolve até o respeito a quem discorda de mim e acha que não tem que ter isso não).

O caso de Emma Watson teve grande repercussão por ela ser famosa, mas casos parecidos acontecem bem na nossa cara todos os dias. O erro está em, ao mesmo tempo, exigir que os homens nos respeitem sem importar qual roupa estivermos vestindo, mas também chamar de vadia aquela conhecida que postou uma foto de biquíni.

O erro está nos comentários de uma foto de uma mulher acima do peso que é xingada, como se ela merecesse algum insulto pelo corpo que tem, e também naquele comentário sobre a menina “padrãozinho”, assim, no diminutivo, como se uma mulher, por ter um corpo teoricamente no padrão, fosse menos mulher que outra.

O erro está em atacar a outra mulher por ela ser o que ela é, seja lá o que ela for. O erro está em mim e em você, porque ninguém sabe de tudo, e ainda temos que aprender muito sobre esse assunto.

Feminismo não deveria ser sobre diferenciação, e sim sobre união.  Feminismo não deveria ser sobre dizer que a Emma Watson não é feminista porque mostrou os peitos, deveria ser “se a Emma quiser ou não mostrar os peitos, é uma escolha dela”. E como isso vai ser resolvido? Com diálogo, reflexão, conversas saudáveis, aquela dica “mana, lê esse livro aqui”, conscientização. Se não, vamos acabar reiniciando a competição de “quem é mais mulher” – e os machistas vão adorar isso.