Trudeau representa Diversidade no mundo que há Trump

Crédito: Reprodução/Al Jazeera

Trudeau não parece ser um bastião a ser contemplado no mundo. Mas no mundo onde há Trump, um representante da consciência e tolerância, que não teme – mesmo sendo jovem – bater de frente com um dos maiores líderes globais, faz toda a diferença.

“Aos que fogem das perseguições, do terror e da guerra, os canadenses lhes darão as boas-vindas, sem importar a fé que tenham. A diversidade é nossa força. Bem-vindos ao Canadá”.

Esse foi Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá ao revidar o decreto anti-imigração de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América. O país que, ironicamente, tem como força motriz, as relações internacionais e um processo cada vez mais massivo de globalização, afirmou que os refugiados nunca serão bem-vindos.

Defendendo toda a diversidade e batendo de frente com a representação daquilo que o mundo deve enfrentar (a intolerância), Trudeau não foi apenas o primeiro a declarar aversão direta a barbárie que será o Governo Trump, se torna um ícone da consciência nessa nova conjuntura global.

O anúncio do primeiro-ministro canadense foi feito no sábado, 28 de janeiro, um dia depois de Donald Trump ter levantado muros ideológicos ao redor dos EUA com a ordem executiva, válida por 90 dias, restringia a emissão de vistos para pessoas nascidas nos países Iraque, Iêmen, Síria, Irã, Líbia e Somália, além de suspender o programa de recepção de refugiados por 120 dias, no mínimo.

Vemos quem é Trudeau quando, horas depois de se posicionar, um homem atentava contra uma mesquita em Quebec, uma das dez províncias canadenses e, também, capital francófona.

Ele e todos os canadenses em geral não tomaram uma atitude destrutiva, revanchista, intolerante, separatista. Calmo e racional, o governo e o povo do Canadá se mantiveram mostrando o avesso do que Donald Trump reflete.

O Canadá é uma nação diversa e nascida também de uma mistura cultural tão diferente quanto polêmica. A variação idiomática cultural e os conflitos no passado que formaram o povo que vive no segundo maior país em extensão do mundo que, como o Brasil, é parte do novo mundo americano e um país que mantém sua identidade multicultural intacta recheada; francesa, britânica e indígena.

Tão mais próximos de nós [Brasil] quando se reflete à tolerância da diversidade e ao acolhimento das pessoas do mundo todo sem obriga-las a abrir mão da sua identidade, o Canadá nos faz pensar, principalmente hoje [pós-Trump], como os EUA acreditam representar a América?

O liberal e consciente Trudeau, imagem da clareza moral, se põe a entender sempre as razões do outro, sem se coloca acima do bem e do mal, respeitando a sensibilidade do ferimento causado pelos conflitos mundo a fora e toda a perseguição gerada pelo preconceito.

É a cara do debate da nova geração que luta contra racismo, machismo, homofobia, intolerância e todos os tipos de amarras que nos prendem aos séculos que passaram, Trudeau é jovem político, que foi muito subestimado quando chegou ao poder por nunca chegar a possuir tanta autoridade e respeito de gigantes como Pierre Elliott Trudeau, seu pai.

Justin Trudeau, mostra com serenidade e vigor, dia após dia, que não é apenas imagem sem conteúdo. Que para ser um bom representante não é necessário criar inimigos pelo mundo.

Cuspir bravatas e discursos de ódio nunca será a melhor forma de governo. A História mostra que nacionalismo puro e barato, associado a maniqueísmo e fascismo só leva a destinos do mais cruéis possíveis.

Justin Trudeau se tornou viral em seu Twitter, após ironizar Trump dizendo que faria um túnel com dinheiro dos EUA para passagem de imigrantes (clara provocação ao muro que foi exigido pelo presidente estadunidense ao México) e que o Canadá continua recebendo refugiados. Seu ideal foi comentado e compartilhado por centenas de milhares de usuários que continuam citando seu posicionamento.

O primeiro-ministro recebeu mais de 40 mil refugiados sírios nos últimos 13 meses.

Com os meandros da juventude que serão sempre lembrados, Trudeau já cometeu algumas falhas. Algumas consideradas pontuais outras bem importantes. O Canadá ainda é reticente em algumas relações diplomáticas, priorizando o interesse nacional mais do que os ideais, principalmente em tratados comerciais (como os acordos de livre comércio norte-americano, que deixaram de fora o México).

“Trudeau é a cara do que o futuro pode nos servir da melhor maneira possível se pensarmos que as pessoas, podem sim, respeitar a diversidade uma das outras”, comentou um ex-jornalista e professor conservador que acreditava que Trump era apenas “simbolismo e bravatas” durante a campanha e que não destruiria o sonho americano com medidas extremas.

“Temos medo da juventude e esquecemos que alguns velhos costumes são os que mais matam”, constrangido, preferindo não ter seu nome associado a Donald Trump, ele finaliza: “Trudeau… O Canadá mostra que há mais beleza na Diversidade que no tradicionalismo funcional. Nós velhos, como diria Caetano, sempre apavoraremos o que não é mesmo velho”.