Saúde sexual: 10% das mulheres sofrem durante o sexo, diz estudo

Saúde Sexual
Créditos: Cristian Newman (Unplash)

Quase todos os casais, se questionados, comentarão que a saúde sexual é ingrediente primordial para o bem estar do relacionamento. Entretanto, segundo estudo britânico, uma em cada dez mulheres sente dor enquanto mantém relações sexuais. É um número altíssimo e mais recorrente do que muitos imaginariam. A pesquisa foi realizada com sete mil mulheres sexualmente ativas, com idades entre 16 e 74 anos, e revelou que a dispareunia (a dor durante o ato sexual) é muito comum e está mais presente na vida de mulheres de todas as idades, do que poderia ser esperado.

A publicação revelou que 10% das mulheres britânicas que participaram do estudo relataram dor durante o sexo por um longo período (igual ou maior a três meses no último ano). Mais grave: um terço de todas as mulheres acompanhadas admitiu não ter a mínima satisfação com a vida sexual.

Segundo o estudo, essa realidade é negligenciada pelos ginecologistas (por falta de diálogo com as pacientes ou por realmente não considerarem o problema). Como as dores só se dão quando há a penetração (numa situação aquém do conhecimento médico senão relatada) e estão vinculadas a questões físicas (tais como ressecamento vaginal, ansiedade e falta de prazer), ou psicológicas e até mesmo emocionais, a maioria dos casos é ignorada.

Kirstin Mitchell, coordenadora da pesquisa britânica, diz que o problema se torna gradativo a partir das primeiras relações sexuais, pois as mulheres tendem a fazer coisas desconfortáveis para agradar seus parceiros, mas que não as estimula realmente.

“Entre as mulheres mais jovens, a dor pode estar relacionada ao fato de estarem iniciando a vida sexual e aceitando práticas que o parceiro deseja, mas que, na verdade, não as excitam. Ou ainda, elas podem ficar tensas porque o sexo é uma novidade e elas não se sentem 100% à vontade com o parceiro”, explica.

Para avaliar a saúde sexual feminina, a pesquisa foi realizada em parceria com os departamentos de ginecologia, ciências da saúde, psicologia e psiquiatria de cinco universidades britânicas e mostrou que essas dores não se limitam a uma faixa etária. Mas, ainda assim elas se concentram em dois grupos de mulheres: as que estão entre 16 e 24 anos e a as que têm entre 50 e 60 e poucos anos.

No Brasil

A pesquisa Mosaico 2.0, um levantamento da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) feito com 3 mil participantes com idade entre 18 e 70 anos, divididos em cinco faixas etárias (entrevistadas pessoas de sete regiões metropolitanas: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Porto Alegre e Distrito Federal), coordenada pela psiquiatra Carmita Abdo, do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do IPq, revelou que, aqui no Brasil, muitas pessoas também têm dificuldades prejudicando a saúde sexual. Os dados publicados em junho de 2016 também mostram as seguintes informações:

3,2% delas sofrem dores graves durante as relações, enquanto elas acontecem de forma moderada em 11,5% dessas mulheres e, de maneira mínima, em 25,6% delas;

7,6% delas têm grave dificuldade para atingir o orgasmo, enquanto isso acontece de forma moderada em 19,5% das entrevistadas e, de maneira mínima, em 17,3% delas;

4,3% delas sentem grave dificuldade de ter interesse por sexo ou excitação sexual, enquanto isso acontece de forma moderada com 15,4% dessas mulheres e, de maneira mínima, com 12,7% delas.

A pesquisa mostra ainda que 94,5% das mulheres consideraram o sexo é importante para a harmonia de um casal, entretanto, 25,9% delas admitiram que a dificuldade sexual traz consequências negativas, não para o casamento, mas para a própria autoestima.

Com informações do M de Mulher