Salto alto e maquiagem ainda são regras para mulheres no trabalho, diz estudo

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Segundo relatório do Parlamento britânico, as mulheres ainda são obrigadas a usar maquiagem, sapato de salto alto, pintar o cabelo e vestir roupas provocantes no ambiente de trabalho, para que pareçam o mais sensuais possível.

O estudo foi divulgado antes mesmo do caso polêmico da britânica Nicola Thorp completar um ano. Ela, quando era recepcionista em Londres, foi impedida de trabalhar por se recusar a usar salto alto. O assunto gerou uma discussão que prometia resultar em mudanças sobre como as empresas poderiam ou não exigir de funcionários no quesito ‘aparência’ ou ‘código de vestuário’.

Na época, Nicola havia aberto uma petição no Parlamento para impedir empresa03s de exigir que mulheres usem sapato alto no escritório. A petição recebeu mais de 150 mil assinaturas.

“Eles queriam que eu fizesse um turno de nove horas de pé levando clientes para salas de reuniões. Respondi que simplesmente não conseguiria fazer isso de salto alto. Disse a eles que consideraria (a exigência) justa se me explicassem por que usar sapatos sem salto prejudicaria a realização do meu trabalho, mas eles não me explicaram”, havia dito Thorp à BBC.

O relatório também revelou o caso de uma mulher que após se candidatar em 2016 a uma vaga em uma loja, ouviu que deveria fazer um alisamento químico no cabelo se quisesse ser contratada.

Segundo o documento, muitas mulheres negras são discriminadas para tirarem tranças ou usar relaxantes no cabelo para conseguirem uma aparência “menos suja” e “desleixada” e mais “profissional”.

“Eu entendo que temos que seguir algumas regras”, reflete a auxiliar administrativa paulistana Monique Albuquerque, de 23 anos. “Tive problemas com cobrança, mais das minhas amigas (em relação a usar mais maquiagem e decote) do que dos meus chefes. Mas, sempre que eu aliso meu cabelo, meu coordenador elogia”, afirma.

Polêmico, a questão divide opiniões. A carioca Fabíola Aguiar, 38 anos, entende como certo exagero ao tratar o assunto com tanto alarde. Residindo, em Brasília ela acredita que faz parte das regras do jogo se adequar à empresa, assim como homens tem que estar de barba feita ou usar roupas sociais. “A partir do momento em que você vive numa sociedade em que vigorem certos padrões, claro que se não dançar ‘conforme a música’, não será vista da mesma maneira de quem o faz”, analisa e completa: “Infelizmente é assim, e eu também nem sempre concordo, mas não adianta nadar contra a maré. A mulher que não quer se produzir, não precisa virar uma top model. Acho que o que é pedido é somente um mínimo de boa aparência e cuidados consigo mesma”, aponta.

Jeane Karla tem 32 anos, é enfermeira e mora na Zona Oeste do Rio de Janeiro e dispara: “Se mandar alisar o cabelo para parecer mais profissional ou nao vai ficar no emprego: é discriminação, é racismo”. Ela contou brevemente como foi a adaptação no centro clinico onde trabalha: “No começo, os médicos me chamavam de Nêga Maluca e Pomponzinho. Perguntavam quando eu iria dar uma escova no cabelo e vir arrasando. Eu dizia: ‘já arraso, meu bem!’ Depois de três anos, eu sou modelo para as pretinhas que entram”, revela.