Índia inaugura primeira escola para pessoas trans terminarem seus estudos

Crédito: Kevin Frayer
Crédito: Kevin Frayer

Em 2014 a Suprema Corte da Índia havia reconhecido as pessoas trans como um terceiro gênero. Atualmente cerca da metade população transsexual de lá não conseguem terminar os seus estudos ainda por causa da transfobia. São numerosos os relatos de agressões cometidas por professores e colegas, além de dificuldades com nome social e uso do banheiro, por exemplo. Por isso, ativistas inauguraram a Escola Internacional de Sahaj, o primeiro colégio interno para transexuais do país, que pretende  receber alunos de 25 a 50 anos.

A escola fica na cidade de Kochi, no estado de Kerala, o primeiro na Índia a adotar uma política contra a discriminação de transexuais ao promover educação inclusiva e oferecer a cirurgia de mudança de sexos em hospitais públicos. A dirigente da Sahaj e ativista trans, Vijayraja Mallika, afirma que a escola pretende ajudar transexuais a terem currículo e habilidades para conquistar boas vagas de emprego e viverem dignamente.

Assim como na Índia, no Brasil também é grande a evasão das escolas de transsexuais por motivos de intolerância e preconceito, restando apenas a prostituição como meio de viver. Foi criado então o  ‘Prepara Nem”  que oferece um curso preparatório para vestibulares destinado a travestis e transexuais no Rio de Janeiro (RJ). A idealizadora do projeto, Indianara Siqueira, aponta que essas iniciativas são necessárias para que a comunidade trans tenha acesso à educação de forma segura.

Em 2014, o Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado pela ex-presidenta Dilma Rousseff, previa a discussão de identidade de gênero e sexualidade nas escolas. Quando analisado pelo Congresso Nacional, entretanto, os temas foram vetados das diretrizes curriculares por serem considerados inadequados ao ambiente escolar. logo nada mais preventivo que apoiar um projeto que inicialmente as segregam com ituito de maior acolhimento para que possam concluir os seus estudos.

“Há um preconceito estrutural em nossa sociedade que não permite as discussões de gênero e de sexualidade dentro da escola. Vivemos em um país laico, em que a educação é um direito de todos, mas que tem interferência religiosa na educação e nas leis”, afirma Luiza Coppieters, professora de filosofia e militante da causa LGBT.

Coppieters foi professora de um colégio particular em São Paulo (SP) até falar abertamente sobre sua transexualidade com os alunos e ser demitida. Para ela, é dever do Estado tratar de questões de gênero e sexualidade com a sociedade para coibir discriminações.

Projetos assim não focam apenas na questão do ensino mas  também de poder proporcionar um ambiente acolhedor , ponderado o bem estar.