Greve internacional feminina já tem nome: Dia sem Mulher

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Créditos: Divulgação

A manifestação feminina que propõe uma greve internacional e vem ganhando força para o Dia Internacional da Mulher já tem nome: o Dia sem Mulher. A ideia se fortaleceu depois do Dia sem Imigrante, mas vem sendo tecida desde novembro de 2016, partilhada por uma aliança internacional, que teve um manifesto escrito por várias ativistas publicado no jornal The Guardian e foi rapidamente aceita pelas organizadoras do que foi considerado “o maior movimento social da história dos Estados Unidos da América”: a Marcha das Mulheres. O Dia sem Mulher deve ser abraçado por 30 países, no mínimo, entre eles o Brasil.

O movimento que levou imigrantes a pararem o trabalho, mostrando para Donald Trump que os Estados Unidos não caminham sem o a mão de obra deles, deu gás para que as mulheres façam o mesmo e que o mundo perceba que sem elas, não.

O slogan do movimento diz: “Se nossas vidas não importam, que produzam sem nós”.

Um bom exemplo de como as coisas ficarão quando as mulheres pararem ocorreu no dia 24 de outubro de 1975, na Islândia, conhecido como “o dia de folga”. 90% das mulheres do país entraram em greve. E não apenas não foram trabalhar, como também não fizeram os serviços domésticos. Cerca de 25 mil mulheres, mais de 11% de toda a população islandesa (um número impressionante se levar em conta um país com 220 mil habitantes), se reuniram para protestar e as outras tiraram o dia para descansarem.

Os homens tiveram que levar os filhos para o trabalho, pois as creches estavam fechadas. A primeira mulher a presidir a Islândia, Vigdis Finnbogadottir, diz que era possível ouvir as crianças brincando na rádio, enquanto os apresentadores liam as notícias no rádio.

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De acordo com Mariana Bastos, uma das organizadoras da greve no Brasil, há uma “maré feminista” e há uma chance enorme de que o mundo todo faça a adesão a essa greve com o mesmo sucesso que aconteceu na Islândia.

“Só se surpreendeu com o tamanho da Marcha das Mulheres quem não vem acompanhando de perto esse processo. Em outubro, Argentina (acompanhada por mulheres de diversos países da América Latina) e Polônia fizeram greves massivas de mulheres. Logo em seguida, a Islândia. Em novembro, o No una di Meno (movimento italiano) levou 150 mil mulheres às ruas de Roma. A essa altura, já estavam se construindo alianças transnacionais para levar a cabo a Greve Internacional de Mulheres”, explica.

Mariana pondera ainda pelas mulheres que não conseguirão aderir à greve internacional no Dia sem Mulher. E explica que o movimento já avalia outras formas de protesto. Seja usar algo lilás na roupa para lembrar a causa, não fazer os serviços em casa ou até mesmo dedicar uma hora no trabalho para discutir as desigualdades.

No Brasil, as principais questões que serão tratadas são: a violência contra a mulher e a reforma da Previdência proposta pelo governo Temer. A equiparação de idade de aposentadoria entre homens e mulheres seria injusta, já que elas fazem cerca de 5 horas semanais de trabalho doméstico (não-remunerado) além da jornada normal de trabalho.