Campus Party debate presença da mulher em tecnologia

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Créditos: Divulgação

A décima edição do Campus Party, ocorre desde terça-feira no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo e a astrônoma paulistana, Duília de Mello, que atua em projetos na Nasa, no entanto, se preocupa com a falta de investimentos em ciência e com a ausência feminina na área por conta disso.

“É uma crise que o Brasil está passando. Já está acontecendo a evasão dos gênios. Acontece todo dia a fuga de cérebros, como a gente chama. Eu fico preocupada porque o Brasil precisa de investimento em ciência, tecnologia e inovação”, disse em palestra realizada na quinta-feira, 02 de fevereiro.

Duília de Mello é formada em Astronomia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – que considera a melhor do Brasil para o campo – e foi uma das palestrantes do terceiro dia do evento. A astrônoma é uma das cientistas que atuam com o telescópio Hubble há quase 20 anos. Ela também é uma das responsáveis pela descoberta das bolhas azuis, aglomerados de estrelas formados fora de galáxias e, também, descobriu a supernova SN 1997D.

“Eu investi a minha vida fazendo doutorado e não via uma sociedade que valorizava isso. Isso é uma pena porque o Brasil é um país que precisa de cientistas”, afirmou, durante sua palestra na Campus Party garantindo que o sucesso no internacional só aconteceu porque não desistiu do sonho mesmo quando os investimento em pesquisa foram cortados em 1995. Duília foi para os exterior depois de receber uma carta do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) avisando que os investimentos para recém-doutores diminuiria em 50%.

O feminismo é pauta presente na Campus Party e várias militâncias pela atuação das mulheres nas áreas de ciência e tecnologia foram trazidas para as palestras durante o terceiro dia.

Segundo informações da organização do evento, a porcentagem de mulheres era de 3% e hoje é superior aos 36%.
Mas, de acordo com Buh D’Angelo, sócia da Infopreta, empresa de tecnologia e inovação que contrata apenas mulheres negras, as coisas precisam melhorar muito pra chegar ao ideal.

“A gente faz o papel de ativista”, disse a militante, que também deu palestra na quinta-feira. Ela é especializada em eletrônica, automação industrial e robótica. “A primeira vez que eu vim aqui, fiquei na porta. As pessoas têm que observar isso.”

Para Duília, a participação de mulheres no setor tecnológico ainda é um problema. “Não é que a menina deva fazer ciência porque é legal, mas porque ela gosta, porque ela é competente, porque ela quer fazer”, e ainda de acordo com ela, o ideal é que haja um referencial para a criança “porque, se ela não vê um exemplo, ela se intimida. Você tem que ver as mulheres bem-sucedidas para ver que você pode ser também”, garantiu.

Durante a Campus Party, várias ciberfeministas lutando pelo empoderamento feminino, promoveram o incentivos às mulheres na carreira de Tecnologia de Informação (TI).

A militância das mulheres para ocupar mais protagonismo e respeito na área de TI reúne grupos que querem debater e empoderar garotas a participarem mais dos projetos e fugirem do estereótipo de que as meninas so participam do evento para se fantasiarem de maneira sensual, realizando cosplays.

A programadora Cristiana de Oliveira é uma das integrantes do grupo Arduladies. que cria projetos com Arduíno, uma pequena placa de circuito eletrônico controlada por software.

“Já trabalhei com uma equipe de 160 pessoas, e só duas mulheres”, revela a realidade que, segundo espera, mude gradativamente após eventos como a Campus Party.