Blocos de carnaval do Rio tiram marchinhas preconceituosas do repertório

Crédito: Rodrigo Soldon 2 via Visualhunt.com / CC BY-ND

O carnaval de 2017 está logo aí, a menos de um mês de distância. E alguns bloquinhos do Rio de Janeiro decidiram que esse ano, as marchinhas que explicitarem preconceito não terão vez na folia.

Clássicos como “Cabeleira do Zezé”, “Maria Sapatão”, “Índio quer apito” e “O teu cabelo não nega” estão saindo do repertório de certos blocos de carnaval que não compactuam com as mensagens das músicas. Para os presidentes dos blocos, músicas racistas, machistas e LGBTfóbicas não devem mais fazer parte da grande festa que balança o Brasil durante uma semana.

Grupos como Mulheres Rodadas, Cordão do Boitatá e Charanga do França defendem essa medida e afirmam que não tocarão mais as músicas. Porém, a ideia não é unânime de todos os blocos de carnaval.

Em entrevista à Rádio CBN, Renata Rodrigues, uma das organizadoras do Mulheres Rodadas, explicou a decisão de excluir as músicas do repertório.

“Se a gente é um bloco feminista, não temos como passar ao largo dessas coisas. Se isso está sendo considerado ofensivo, acho que a gente não deve fazer coro”.

O bloquinho até tirará um clássico da MPB. Ele costumava tocar “Tropicália”, de Caetano Veloso. Mas agora há uma discussão sobre também não tocar a canção, por causa do uso da palavra “mulata”, criada a partir do preconceito contra mulheres fruto da miscigenação (e, muitas vezes, do estupro).

Em contrapartida, outros bloquinhos cariocas não adotarão a medida. Pedro Ernesto Marinho, presidente do Cordão da Bola Preta, é um dos que discorda da decisão de tirar marchinhas clássicas da folia carnavalesca.

“Não consideramos essas marchinhas ofensivas. Quem as compôs, certamente, não tinha essa intenção. Carnaval é uma grande brincadeira. Essa polêmica não vai levar ninguém a lugar algum e até desmerece o carnaval. O preconceito está mais dentro das nossas cabeças do que nas marchinhas”.

Além dele, Rita Fernandes, presidente da Sebastiana, associação que representa 11 blocos cariocas, também se colocou contra a decisão de tirar as marchinhas.

“Nenhum bloco da Sebastiana está tirando marchinha do repertório. Os blocos acham que as marchinhas são antigas, tradicionais e tinham um contexto, sem ter preconceito. Foram criadas numa determinada época. A vida fica muito sem graça se tudo tiver que ser enquadrado, perdendo a leveza e a brincadeira, que são a essência do carnaval”.

Com informações de O Globo