Alezzia Móveis: como o machismo venceu o desafio

Crédito: Reprodução/Facebook

Na guerra travada pelo marketing agressivo, a Alezzia Móveis, do Rio de Janeiro, é uma das que extrapola contextos e ainda inclui linguagem machista em seus discursos. Foi assim que a empresa, que produz e vende móveis em aço inox, comprou uma luta em dezembro de 2016 contra feministas por causa de suas estratégias publicitárias, no mínimo, infelizes.

Um desafio foi feito, a empresa acabou vencendo e, cumprindo com o prometido, pretende realizar uma doação para a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Mas há de se entender o caso e analisar se a Alezzia Móveis realmente venceu o desafio contra o que, ela mesmo citou como “excesso de politicamente correto no país”.

À época (15 de dezembro), após várias queixas sobre as publicações e comentários machistas recheados de ironia e zombaria, a Alezzia Móveis decidiu provocar Bruna Bones, uma usuária que reclamou da postura adotada pela organização. Então desafiou a jovem a baixar o ranking de avaliações da página da empresa no Facebook abaixo de 1.1 estrelas até o final de janeiro de 2017. Caso isso ocorresse, a Alezzia garantiria um cupom no R$ 10 mil para que a reclamante gastasse com produtos.

Bruna se empenhou, solicitou ajuda de todas as feministas e também das pessoas que se identificavam com a causa (ou simplesmente reprovavam a atitude da loja) e, afirmou que se vencesse, reverteria todos os produtos para a causa feminista. Viralizou rapidamente e até o fim da tarde daquele dia, a Alezzia Móveis já possuía mais de 14 mil avaliações negativas.

Assustada com a repercussão negativa e aonde o caminho poderia levar seu nome, a Alezzia decidiu mudar de estratégia para uma recheada de demagogia. Solicitou apoio de grupos anti-feministas para votar em cinco estrelas na avaliação e propôs o contra-desafio: caso as avaliações da loja no Facebook ficassem acima de 1.1 e abaixo de 4.0, haveria a doação de 5 mil reais a AACD.

Até o momento (desta publicação) a avalição gira em torno dos 3.6 e, segundo a empresa, esse será o valor da doação à organização social.

Vale lembrar que a empresa possui mais de duas décadas de vida, em sua visão e missão garante o respeito ao consumidor. Nada visto em diversas publicações e principalmente em comentarios sarcásticos e escarnecedores.

Na guerra social foram 174 mil avaliações com nota cinco e 89 mil avaliações com nota um da página da empresa.
Mas, o levante negativo deve realmente ser levado como irrelevante?

Apesar de ter sido usada como às na manga (e até bode expiatório), não há porque questionar a credibilidade da AACD, instituição que atende crianças com necessidades especiais há quase 70 anos e apenas receberá a quantia oferecida pela Alezzia, tendo esta última usado um órgão nobre para servir como subterfúgio para ganhar uma briga.

Mesmo assim, com o desafio modificado (mais de uma vez), com uma campanha demagógica e diversas falhas de percurso que fariam o mais sonolento dos espectadores perceber o tom estranho ao qual tudo foi direcionado, a empresa cantou vitória e, criticando o politicamente correto no país, falou sobre liberdade de expressão e confirmou a doação no valor de R$ 5 mil: