Perseguida, marcada e assassinada: esse foi o desfecho de Agatha Mont

Crédito: Arquivo Pessoal
Crédito: Arquivo Pessoal

A estudante universitária Agatha Mont, de 26 anos, foi encontrada morta em uma rua em Itapevi, na Grande São Paulo, no início da semana. Poderia parecer um crime comum, se não fosse pelo fato de Agatha ser transexual. Familiares e amigos afirmam que ela foi vítima de LGBTfobia, pela condição sexual assumida. De acordo com reportagem publicada na Ponte Jornalismo, o laudo do IML de Osasco aponta como infarto a causa da morte.

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Não é difícil entender as razões para que a família acredite que Agatha foi vítima de LGBTfobia. A jovem cursava licenciatura em artes na FMU e, no ano passado, havia ganho certa notoriedade, depois de denunciar o preconceito que estava sofrendo de mulheres estudantes porque, fazendo uso de uma previsão legal, usava o banheiro feminino do campus. Entre tantas ofensas, uma das pichações encontradas na porta do banheiro era: “Macho de saia, não”.

O corpo de Agatha foi encontrado em uma rua por dois guardas municipais e, segundo testemunhas, ela estava nua, de bruços no chão, com uma camisa enrolada no pescoço. Apresentava algumas escoriações no rosto. E o preconceito pela condição de transexual continuou evidente, mesmo depois de a estudante ter sido morta. Em uma comunidade no Facebook de notícias locais chamada “Itapevi Agora”, o autor do post se refere a ela com o artigo masculino. E na nota da Secretaria da Segurança Pública, divulgada pela Ponte Jornalismo, Agatha também é chamada de homem: “A Polícia Civil informa que a Delegacia de Itapevi instaurou inquérito policial para investigar a morte de um homem que foi encontrado neste sábado (04), às 4h, na Rua Serra dos Gradaus, Jardim Rosimery, Itapevi. Diligências estão sendo feitas para localizar câmeras de segurança na região e o delegado titular aguarda o resultado dos laudos”.