Vale muito a pena ver Moonlight

 

Nos Estados Unidos, da década de 80, os negros gays e lésbicas perceberam  a invisibilidade na era Reagan  e criaram suas comunidades. É por isso que poetas, dramaturgos e escritores criaram obras militantes que falavam da experiência cotidiana da comunidade gay preto. Dada a atual ameaça de um líder estadunidense, ainda mais intolerante a diversidade, o filme tranquilamente lança o mesmo desafio.

 

Em tempos de Trump, o filme Moonligth: Sob a luz do luar, Direção e roteiro do Barry Jenkins, ganhador do Globo de Ouro como melhor filme dramático, traz a discussão do racismo  e discussão para a diversidade e é um dos indicados e meu preferido ao Oscar de 2017.

O filme conta a história do pequeno Chiron (Alex R. Hibbert) na década de oitenta, em Liberty City, Miami. comportamento preto, magro e ausente, é o tema do bullying escolar. Filho de uma mãe solteira usuária de drogas, começa a perceber suas inclinações homossexuais. Ao longo de mais de 100 minutos, testemunhamos sua viagem turbulenta na vida adulta. A película foi baseada na peça In moonlight black boys look blue escrita pelo dramaturgo e ator Tarell Alvin McCraney. O filme é composto por três segmentos: I. Pequeno, II. Chiron e III. Preto, uma estrutura que não vem do texto original do McCraney.

Ambos os autores cresceram na mesma cidade, a uma quadra da outra. Eles foram para a mesma escola primária, mas nunca se encontraram. Ambos tiveram mães viciadas em pedra. Assim, pode-se supor que, ao expor algumas de suas experiências, ambos tornam-se sujeitos de suas histórias.

De baixo orçamento, o filme tem sido bastante aclamado pela Europa e Estados Unidos onde a crítica comenta ser sexy e ousado estilisticamente.

“Todo crioulo é uma estrela”

Essas são as primeiras palavras que se ouvem na película. A frase é, na realidade, o verso da música homônima de Boris Gardiner, artista negro, que ironicamente usa o termo pejorativo para inflar a autoestima da própria comunidade.

Não se trata de mais um filme de gueto com a triste história da mãe solo, usuária de drogas que luta para criar o seu filho, muito embora  exista esse esteriótipo, o filme traz questões de raça e preferência sexual com contornos que transpõe o universo masculino.

Confiram o trailler, no link abaixo, o filme  tem previsão de estréia no Brasil em 23/02/2017.