Ser mulher é ser julgada mesmo depois de morta

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Quando todas as atenções deveriam estar voltadas para o do acidente aéreo que matou o ministro do STF, Teori Zavascki relator de todos processos que envolvem a Operação Lava-Jato na mais alta Corte do país, a grande preocupação de muitas pessoas tem sido sobre a vida de Maira Panas, a jovem que também morreu no acidente.

O que Maira fazia da vida, quem era ela, como vivia, se estava tendo ou não um caso com o empresário Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, dono do hotel Emiliano, passou a ser mais importante do que a morte de um ministro que estava prestes a homologar a delação premiada do empreiteiro Marcelo Odebrecht, juntamente à Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

Não importa se Maira era uma mulher adulta, independente e dona da sua vida. Não importa o fato de ela ter tentado sobreviver implorando por socorro batendo nos vidros do avião. Não importa se ela estava acompanhada  da mãe que morava em outro estado e ambas estavam animadas em passar o final de semana na praia. Não importa os sonhos interrompidos em meio à tragédia.Não importa a saudade da família e dos amigos e o amor que ela tinha pela dança. O que importa é julgar e condenar essa mulher, que nem direito a resposta tem.

Porque ser mulher é não descansar nem mesmo depois de morta. Não sem antes ser humilhada, hostilizada, rebaixada, diminuída, linchada nas redes sociais.Ser mulher é não ter direito a condolências, ao luto e ao mínimo de respeito que todo ser humano merece, Não sem antes ter sua vida revirada, sua intimidade exposta e ser queimada em praça pública por aqueles que se acham detentores da verdade. O patriarcado nunca irá nos poupar.