Senado espera uma semana para se pronunciar sobre feminicídio em Campinas

Crédito: Edilson Rodrigues/ Agência Senado
Crédito: Edilson Rodrigues/ Agência Senado

Na noite de ano novo, 12 pessoas da mesma família foram assassinadas em Campinas, SP. O assassino, Sidnei Ramos de Araújo, 46 anos, era ex marido de uma das vítimas, Isamara Filier. Dentre as pessoas que ele matou estavam a ex esposa, o filho, outras oito mulheres e dois homens. O crime chocou o país todo, mas o Senado Federal só decidiu se pronunciar vários dias depois.

Além de assassinar a família da ex esposa, Araújo também escreveu uma carta que traduz bem o que é o ódio pelas mulheres. Ele se refere à elas como “vadias” e mostra como não suportou ver a ex mulher seguir sua vida sem precisar do auxílio de homens.

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O Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) é uma instituição criada pelo Senado em março de 2016 que trata de assuntos ligados à violência contra a mulher e tem o objetivo de contribuir para o fim dela.

A instituição (e, por consequência, o Senado), porém, falhou em reconhecer o caso de Isamara e sua família. Ela lançou uma nota apenas no dia 6 de janeiro, uma semana após o caso. Leia na íntegra:

“O Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) repudia a chacina feminicida ocorrida em Campinas, na noite de réveillon, que resultou no assassinato de doze pessoas, sendo nove mulheres. O caso serve para chamar ainda mais a atenção para o grave problema da violência de gênero. Infelizmente, ainda que emblemático, o terror ocorrido em Campinas está longe de ser um caso isolado. Dados da ONU apontam que 38% de todas as mulheres assassinadas no mundo são mortas por parceiros ou ex-parceiros. No Brasil, existe um feminicídio a cada 90 minutos, de acordo com o IPEA, fazendo do nosso país o quinto mais violento nesse quesito, de acordo com o Mapa da Violência 2015.

O feminicídio não é resultado de psicopatia, nem está resumido a um indivíduo monstruoso – é, ao contrário, fruto de uma cultura machista e opressora, que sob diversas formas desvaloriza e desumaniza as mulheres, transformando as mortes em espetáculos midiáticos e culpando as mulheres pela sua própria morte.

Vale ressaltar que Isamara Filier, ex-esposa do feminicida, registrou cinco boletins de ocorrências contra o assassino ao longo de dez anos, o que aponta para a necessidade de fortalecimento da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres e de aplicação efetiva da Lei Maria da Penha.

Nesse sentido, o OMV vem se unir à indignação coletiva gerada pela chacina, mas vai além, reafirmando o seu compromisso de atuar pelo aprimoramento das políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres, visando ao asseguramento do direito básico das mulheres a uma vida livre de violência.”