Quem disse que você não é empreendedora?

Crédito: Divulgação

Quem disse que você é empreendedora?

Sua melhor amiga? Sua intuição? Sua terapeuta, médica, coach?

Quem pode dizer se você é – ou não – empreendedora?

Eu posso, sua vizinha pode, sua professora, sua colega de faculdade, qualquer pessoa pode dizer que você é (ou não) uma empreendedora. Porém, quem vai denunciar e escancarar isso são suas atitudes.

Empreender está na área das capacidades. É um conjunto de capacidades unidas e aliadas com o propósito de resolver uma situação. No geral essa característica vai aparecer em forma de soluções criativas, inovadoras e que não necessariamente fazem parte das expertises adquiridas por estudo ou capacitação. É uma pulsão, uma reação do cérebro para resolver uma situação que ele sentiu como necessária. Essa pulsão leva você a empreender!

Um exemplo disso seria alguém que tenha intolerância à glúten mas gosta dos produtos que o contém, e cria receitas saborosas sem a presença desse ingrediente. A resolução do problema pode acabar criando uma linha de produtos ou estimulando a abertura de um restaurante.

Esse conjunto de capacidades que fará de você uma empreendedora – ou não – vai se destacar não só no âmbito PROFISSIONAL da sua vida mas também em outras áreas como a das relações interpessoais, por exemplo.

Uma das características que se mostra bastante forte na empreendedora é sua tendência a utilizar mais a estratégia no cotidiano – não de maneira empírica, mas quase que por reflexo, sabe? É aquele “pá – pum – resolveu”.

A capacidade estratégica em ocupar espaços não percebidos por outras pessoas ou a capacidade de ver uma chance de negócio num talento considerado hobbie faz parte dessa característica empreendedora.

Ora, mas então quem não tem um perfil estrategista não empreende?

Não é nada disso. Muitas de nós não tem esse groove, porém podemos empreender e ter muito sucesso naquilo que nos propusermos a fazer. A grande sacada é saber qual o seu perfil e entender como você vai contribuir para a inovação;  talvez aquela colega que não tem um perfil empreendedor possa ser aquela que de maneira mais pessoal (sentindo na pele) identifica as necessidades que levam à inovação – dando a ideia, mas sem viabilizar a coisa toda.

Você pode ouvir e ler várias “dicas” sobre como reconhecer uma empreendedora (ou empreendedor), porém todas elas vão falar de características aprendidas ou absorvidas pela exposição ao mercado. O que eu sugiro aqui é que possamos dar um passo atrás para dar 2 passos à frente.

Toda vocação é individual, e a vocação ao empreendedorismo não é diferente. O importante é que você não tome decisões com base apenas e tão somente nessas características: podemos criar e inovar sempre, dentro das nossas possibilidades e com o que temos de fato a oferecer.

Quando leio sobre empreendedorismo, invariavelmente acabo me deparando com a seguinte afirmação de que empreendedora é aquela pessoa que consegue transformar as ideias em realidade, “porque a maioria das pessoas apenas tem boas ideias e não consegue colocá-las em prática.”

Amigas, listen to me, this is bullshit. Tudo isso é mais do mesmo.

Você não precisa ter a ideia, criar o negócio e ter sucesso com ele pra se considerar uma empreendedora. Aliás, é bem importante dizer isso: dificilmente se atinge o sucesso na primeira empreitada ou com uma ideia genial se você não tem suporte pra levar tudo pra frente. Muitos negócios geniais tendem a não dar certo porque a pessoa que teve a brilhante ideia tentou levá-lo sozinho até o final por achar que isso é empreender – só que não é.

Você pode ser uma professora de história e ser empreendedora – porque descobriu como fazer com que a sua turma possa utilizar de maneira prática tudo aquilo que você diz na teoria; você poder ser dentista e ser empreendedora – porque você pode ter tido a ideia de criar um ambiente lúdico pros pequenos se sentirem super seguros ao visitar seu consultório; você poder ser psicóloga e empreendedora, você pode ser passadeira de roupas e empreendedora, você pode ser cuidadora de idosos e empreendedora. Não existe uma definição formal sobre quem é uma empreendedora. O que existe é um conjunto de características pessoais, como dito nos primeiros parágrafos.

O risco que você corre ao não conseguir se enxergar como uma empreendedora ou não é a possibilidade de ver o tempo passar sem agir, e assim acabar por deixar passar aquela oportunidade bacanuda que a sua mente criativa te deu ou o mercado formal de trabalho apresentou.

No empreendedorismo feminino é imprescindível que possamos contar com referências e redes de suporte que nos acolham e possam ajudar na identificação dessa característica; o que precisamos é de ajuda pra olhar pra dentro e conseguir achar o que temos de melhor pra oferecer no mundo.

Não confunda empreender com ideia de negócio. Você pode ser uma empreendedora incrível e ainda assim trabalhar no mercado formal, oferecendo soluções inovadoras e extremamente importantes no seu segmento, ou ainda ter de fato uma ideia de negócio – e nesse caso você precisa saber como investir corretamente nela para que alcance o sucesso que deseja (porque sucesso é conceito individual). Vá até o fundo e faça as perguntas certas, pois elas sempre são mais esclarecedoras que as respostas.

O que são perguntas certas?

São aquelas que de fato vão direcionar você a uma resposta concreta, como por exemplo:

  • As pessoas precisam disso que quero fazer?
  • Há no mercado necessidade desse meu produto/serviço?
  • As pessoas com quem convivo buscam/utilizam/têm esse tipo de produto/serviço?
  • O que meu produto/serviço tem que faz com ele seja diferente de todos os outros?

Não será um processo de coaching ou mentoria que vai fazer de você uma empreendedora de sucesso. O que vai te levar ao sucesso é a capacidade de saber lidar com as frustações encontradas ao percorrer o caminho e ter uma vontade de realizar maior do que a inclinação de desistir, porque desistir sempre será o caminho mais cômodo.

Importante sempre é dizer que podemos não ser capazes de tudo, como de fato não somos, mas somos todas capazes de algo, e é esse algo que precisamos nos dedicar a descobrir.