Promotora de Justiça fala sobre feminicídio

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Na virada do ano, os portais de notícias mostraram como dezenas de mulheres foram mortas por causa do feminicídio. O caso que mais chocou foi o de Sidnei de Araújo, que matou a ex-mulher, o filho e mais 10 pessoas da família dela no dia da passagem de ano em Campinas, SP. Outro caso bastante comentado também foi o de Renata Rodrigues Aureliano, que morreu após ser queimada viva pelo ex-companheiro em Campestre (MG).

A Promotora de Justiça Gabriela Mansur, especialista no combate à violência contra a mulher, afirmou que um fator importante para se levar em consideração nesses casos é a ausência do Estado. Em entrevista ao HuffPost Brasil, ela disse que “Enquanto não for prioridade de investimento público, destinação de verba, aprimoramento dos atendimentos, credibilidade da palavra da vítima, deixar pessoas especializadas em estratégias de políticas públicas e criminal, não vamos conseguir diminuir os índices de violência contra a mulher”.

Vale lembrar que tanto Renata Rodrigues como a ex-esposa de Sidnei, Isamara Filier, já haviam ido à polícia fazer boletim de ocorrência contra os ex-companheiros. Nada foi feito. E as duas foram vítimas de feminicídio por causa da sociedade machista e da negligência do Estado.

A Promotora de Justiça defende uma melhor aplicação da Lei Maria da Penha e também pensa que deve haver alterações para que a lei englobe também punições para crimes de ódio contra mulheres na internet, nos transportes públicos e para qualquer tipo de assédio em geral.

“Tem de mudar a cultura, ter não só no currículo escolar, mas também campanhas educativas com “machismo mata”, “não bata em mulher”, “a mulher pode ser o que ela quiser”. Isso é salutar”, afirmou Gabriela Mansur ao HuffPost Brasil.
Com informações de HuffPost Brasil