Mulheres contra Trump: Marcha leva multidões às ruas

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A Marcha das Mulheres contra Trump já havia se desenhado entre os grandes nomes da cena norte-americana na quarta-feira, 18 de janeiro, com o convite de Janelle Monae. A atriz protagonizou duas das melhores performances do ano passado em filmes como Moonlight e Hidden Figures e seu convite foi endossado por atrizes e intérpretes e celebridades das mais importantes, assim como Beyoncé, Lupita N’yong e Scarlett Johansson.

E nas mesmas avenidas que fizeram com que a imprensa publicasse imagens comparando a posse de Donald Trump e a de Barack Obama (pelo número menor de pessoas presentes), aconteceu a Marcha das Mulheres, no sábado, 21 de janeiro, fazendo o que o presidente eleito não conseguiu fazer: lotar as ruas.

Centenas de milhares de pessoas que não concordaram com a presença da família Trump na Casa Branca saíram para protestar. Aliás, segundo os organizadores, mais de meio milhão de manifestantes, marcharam pela capital dos Estados Unidos da América, Washington D. C. para que o novo presidente sentisse que seu mandato não será tranquilo, enquanto ele permanecer com sua visão preconceituosa, racista, xenófoba e com a agenda ultraconservadora do seu governo.

A exigência foi que respeitasse todas as mulheres, minorias, imigrantes e os direitos civis. A Marcha das Mulheres não apenas na capital dos EUA. Dezenas de milhares foram às ruas de Nova York, Chicago, Boston e Atlanta. Além disso, o protesto teve características que só a globalização pode promover, quando ocorreu também em outras grandes cidades importantes do mundo, assim como Berlim (Rússia), Londres (Inglaterra), Sydney (Austrália) e Cidade do Cabo (África do Sul).

Não eram apenas as mulheres contra Trump nas ruas. Todo o grito da diversidade também fez partes, jovens de todas as idades, cores, religiões e de vários pontos dos EUA, do Canadá, do México e até da Europa foram participar da Marcha para as Mulheres, que se tornou a principal manifestação contra o novo presidente eleito e, segundo os números divulgados pelos organizadores, a maior da história realizada perto após a posse.

“Presidente Trump, eu não votei em você. Dito isto, respeito que seja presidente e quero apoiá-lo, mas primeiro peço que me apoie, apoie minha irmã, minha mãe, minha melhor amiga, todas as pessoas que esperam ansiosamente para ver como sua próxima manobra pode afetar drasticamente as vidas delas”, essa foi a declaração da atriz e ativista Scarlett Johansson, uma das apoiadoras e oradoras do protesto que seguiu o mesmo caminho que o desfile inaugural na sexta-feira, do Capitólio até a Casa Branca.

Madonna fez uma aparição surpresa e pediu ao povo que não deixassem Trump levar o governo para um caminho mais obscuro que oprime as mulheres.

“Não aceitem esta nova era de tirania em que não apenas as mulheres estão em perigo, mas todas as pessoas marginalizadas”. “A revolução começa aqui, este é o começo de uma mudança muito necessária”, falou.

Era tanta gente aglomerada no National Mall, que mal dava para ver o palco. E lá outras vozes falaram em prol das mulheres contra Trump. America Ferrera e Ashley Judd, a cantora Alicia Keys e o documentarista Michael Moore.

Além disso, políticos opositores e legisladores democratas, como a senadora Kamala Harris da Califórnia e ativistas de direitos civis, dos imigrantes e das mulheres, como a feminista Gloria Steinem e a presidente de Planned Parenthood, Cecile Richards, discursaram. Todas as pessoas pediam resistência e luta.

Segundo os oradores, tudo que havia sido conquistado estava ameaçado pela Era Trump, seja na área da saúde adquirida ou nas políticas para os imigrantes, refugiados, muçulmanos, a comunidade afro-americana, e até mesmo, o casamento igualitário e os avanços conquistados para as causas das mulheres.

A Marcha, que levou às ruas as mulheres contra Trump — e não apenas elas — começou como uma iniciativa de uma mulher, que convidou pelo Facebook várias amigas a irem a Washington no dia seguinte à posse.

O evento tomou proporções nacionais, ganhando o apoio de estrelas como Janelle Monae, Cher, Lena Dunham, Katy Perry e Robert DeNiro.

Hillary Clinton não participou do evento, mas demonstrou apoio em sua conta no Twitter.

“Agradeço por resistirem, falando e marchando pelos nossos valores @womensmarch. Importante como sempre. Eu realmente acredito que nós sempre seremos mais fortes unidas”, disse em sua publicação.

Resposta de Trump

Donald Trump, o presidente americano passou o fim de semana se digladiando com a imprensa. Ele insistiu que há um jogo sujo por parte da mídia e que o público presente na sua posse foi o “maior já visto” da história.

Ao enfrentar o protesto que levou centenas de milhares às ruas para se manisfestarem contra sua posse, zombou do evento.

À Marcha das Mulheres contra Trump, com desdém, ele ironizou na rede:

“Vi os protestos. É impressão minha ou acabamos de passar por uma eleição? Por que esse pessoal não votou?”, disse Trump e cutucou as personalidades participantes, dando a entender que feriram a própria causa lutando ‘contra’ a democracia.