Mãe de jovem gay vira barriga de aluguel para o filho realizar sonho de ser pai

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O casal Luiz Aranha e Gustavo Salles queria ter filhos. Foram muitas tentativas de adoção frustradas. Primeiro porque processos de adoção até para casais heterossexuais são bem burocráticos. Segundo, porque, infelizmente, a sociedade ainda é muito retrógrada. A mãe de Luiz, Ana Maria Aranha, de 58 anos, propôs para os dois ser barriga de aluguel. A família procurou um local de fertilização em Campinas, no interior de São Paulo, e começaram a fazer o tratamento. Apesar da idade já avançada para uma gravidez, os médicos avaliaram que Ana Maria daria conta. Os embriões do filho e do genro foram fertilizados em um óvulo de uma doadora desconhecida e inseminados em Ana.

Os gêmeos Pedro Henrique e João Lucas nasceram saudáveis e já completaram 3 meses de vida no último dia 5 de janeiro. Apesar de todos eles morarem em Capivari, uma pequena cidade também do interior de São Paulo, que geralmente tem um contexto mais provinciano, o casal disse que recebeu apoio de quase todo mundo. A única exceção foi da comunidade evangélica, que Ana Maria frequenta e foi desencorajada pelo pastor a ser barriga e aluguel. Mesmo assim, o amor pelo filho e a certeza de que os dois serão pais excelentes falaram mais alto e Ana foi adiante para ajudar o casal a realizar esse sonho, biologicamente impossível de ser feito por eles apenas.

Essa história foi divulgada na mesma semana em que o assassinato de Itaberli Lozano pela própria mãe foi amplamente divulgado. Ele foi morto a facadas e carbonizado justamente porque a mãe não aceitava a condição de homossexual dele. Duas histórias envolvendo a questão de gênero e a relação entre mãe e filho, mas com uma diferença gritante: uma é um ato de amor, a outra, de ódio.