Apresentador chama Ludmilla de macaca e ela não vai deixar barato

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O apresentador do programa Balanço Geral, da Record em Brasília, Marcos Paulo Ribeiro de Moraes, o Marcão do Povo, chamou a cantora Ludmilla de macaca na última terça-feira (17). A ofensa racista aconteceu quando Marcão comentava uma notícia de que a artista não gostava de tirar fotos com fãs e disse a seguinte frase: “Não dá para entender. Era pobre macaca, pobre, mas pobre mesmo”.

O vídeo gera em quem assiste, um misto de raiva e de vergonha alheia, porque o apresentador enfatiza a frase e o termo mais de uma vez. Ludmilla vai denunciar Marcão por racismo e quer que a Justiça resolva todo o caso. A assessoria da cantora também afirmou que pedirá a prisão do apresentador e que estenderá a queixa à emissora também. No twitter, rapidamente, uma rede de solidariedade se formou e a hashtag #ProcessaLudmilla chegou aos Trending Topics. Até o fechamento desse texto, estava em terceiro lugar nos TTs Brasil.

Chamar alguém de macaco é crime de injúria com agravante pelo conteúdo racial. E não foi a primeira vez que a cantora sofreu insultos desse tipo: a ex-participante do programa da Band, o extinto Mulheres Ricas, Val Marchiori, disse que o cabelo de Ludmilla parecia um bombril.

Usar o termo ‘macaco’ para ofender negros é uma prática racista que, infelizmente, é muito difundida no futebol. Em 2011, o lateral esquerdo Roberto Carlos atuava na Rússia, pelo Anzhi, um torcedor do Zenit ofereceu a ele uma banana. Em maio de 2013, teve o caso do volante sub-16 do Vasco, Gabriel Tiné, que foi chamado de macaco, em português, pelos juvenis da Juventus, na Itália. Em agosto de 2014, o goleiro Aranha foi chamado de macaco pela torcida do Grêmio. Até o italiano Balotelli já foi alvo, inúmeras vezes, de insultos racistas e até protagonizou discursos emocionados sobre o tema. Um dos casos mais emblemáticos foi quando o atacante jogava pelo Liverpool e fez uma brincadeira em rede social com o Manchester United. O resultado? Uma avalanche de xingamentos. Um grupo anti-discriminação que atua no reino unidos chegou a divulgar na época, que o jogador recebeu 8 mil mensagens discriminatórias, sendo que 52% destas publicações eram racistas.

No futebol, até pela repercussão, os casos acabam ficando mais emblemáticos. Mas o racismo mostra suas garras também em outros esportes. Apenas para citar o caso recente da judoca Rafaela Silva, medalhista na última olimpíada, que desabafou: “A macaca que deveria estar na jaula, como fui chamada em Londres, saiu e veio ser campeã olímpica”, disparou a judoca com a primeira medalha de ouro do Brasil no pescoço.

No futebol, o termo “macaco” é a principal marca do racismo no esporte. Em maio do ano passado, a vítima foi o jogador Gabriel Jesus, do Palmeiras. Na ocasião, o jogador revidou com bom-humor: “Ninguém quer que as pessoas te julguem com racismo. Só acho que macaco é mais esperto do que ele”.