‘Homens no estádio, mulheres na cozinha’: torcida do Lyon exibe faixas machistas

Créditos: Reprodução/Canal+

A equipe de futebol feminino do Olympique de Lyon, da França, tem em sua galeria de títulos 14 ligas, tendo vencido as 10 últimas edições, e oito copas nacionais. Além disso, suas jogadoras ostentam um tricampeonato da cobiçada Champions League, competição em que são as atuais donas da taça após campanha em que não perderam nenhuma partida e tiveram média de 5 gols por jogo.

Por outro lado, o time masculino do clube francês tem números mais modestos: metade de troféus de ligas (7) e menos copas nacionais (6). Da Champions League, os homens não chegaram nem perto.

Os dados acima dão motivos de sobra para toda a torcida do Lyon se orgulhar de seu time feminino, certo? Errado. Nem mesmo o currículo consideravelmente mais vencedor do que o do time masculino livraram as mulheres do preconceito. O motivo? Machismo, sexismo e misoginia. Prova disso foram as manifestações vindas das arquibancadas do estádio Parc OL no último sábado (28).Na ocasião, a equipe masculina enfrentava o Lille em partida válida pela 22ª rodada do Campeonato Francês. Por volta dos 30 minutos de jogo, um grupo de torcedores do time da casa ergueu uma bandeira com um desenho que representa as mulheres acompanhado de uma seta que apontava para a palavra “cozinha”, uma indicação do lugar em que elas deveriam estar. Em faixa levantada ao lado, a imagem de um homem era acompanhada da inscrição “estádio”, referência ao espaço como direito reservado exclusivamente ao sexo masculino.

Créditos: Reprodução/Canal+
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réditos: Reprodução/Canal+
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As manifestações preconceituosas ganharam bastante repercussão por terem sido exibidas ao vivo durante a transmissão da partida pelo Canal+, que mostrou as bandeiras com ênfase. Após a exposição das imagens, o assunto ganhou eco e críticas nas redes sociais. Entre as diversas manifestações de repúdio à torcida, a ex-diretora da Federação Francesa de Futebol, Dominique Crochu, criticou a atitude e questionou a falta de controle do conteúdo exibido nas bandeiras que entram nos estádios.

De acordo com o diário esportivo francês L’Équipe, apesar da polêmica gerada no último sábado, faixas com teor “homens no estádio, mulheres na cozinha” são comuns em jogos do Lyon há algum tempo.

As manifestações machistas também encontram aval na diretoria do clube. Bernard Lacombe, ex-jogador e dirigente do Lyon, afirmou em entrevista concedida a uma rádio em 2013 que se recusava a discutir futebol com mulheres e que o lugar delas era na cozinha. As declarações foram em resposta a uma ouvinte que criticou o jogador Karim Benzema. Na época, as palavras geraram fortes reações contrárias, mas foram compradas como discurso por parte da torcida.

As faixas exibidas no último sábado no estádio do Lyon funcionam como exemplo de como machismo, sexismo e misoginia atuam na sociedade. Mesmo extremamente vencedora e superior ao time dos homens, a equipe feminina encontra resistência e preconceito vindos de dentro do clube e das arquibancadas que deveriam dar a elas apoio, orgulho e respeito.

O jogo marcado pela faixa de discriminação às mulheres terminou com a derrota do time masculino do Lyon por 2 a 1.