Homem é preso ao dizer que iria imitar o cara de Campinas e matar todo mundo

Crédito: Reprodução/Facebook
Crédito: Reprodução/Facebook

Um homem de 43 anos foi detido pela polícia de Jaboticabal, no interior de São Paulo, no início da semana. O motivo? Ameaçou iniciar uma guerra na cidade e jurou de morte integrantes do Ministério Público, da Polícia e da Justiça por causa de uma desavença com a ex-companheira. Rodrigo Nomura Guerreiro escreveu no perfil que iria matar todo mundo e se matar depois e fez uma clara alusão, em um dos muitos posts escritos na terça-feira, que repetiria a ação do assassino de Campinas, Sidnei Araújo, que matou 12 pessoas no Reveillon, entre as vítimas a ex-mulher e o filho de 8 anos. O delegado de Polícia de Jaboticabal, Wanderley Santos, em entrevista a uma rádio local, afirmou que o rapaz estava em confusão mental, mas que, de fato, disse que o grande motivador para o surto dele é que a ex-mulher levou o filho para viver nos Estados Unidos. Além disso, teria se autodeclarado bipolar. Nos posts, Rodrigo também ameaçou nominalmente três pessoas: “Andreia, Carmen e Ethel, vou matar vcs, suas vacas”. Carmen Silvia Alves é a juíza que em fevereiro de 2012 o enquadrou na lei Maria da Penha, depois de ele agredir a então esposa. Ele está detido preventivamente.

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Para além da história em si, do factual e da bizarrice dos fatos, o caso assusta porque ainda que se admita que ficamos muito valentes atrás de um computador, ele fez ameaças reais, alusões à ex-mulher e ao caso de Campinas. Ainda que não fosse ter coragem de levar a cabo tudo que disse, é assustador que alguém use a chacina de Campinas como exemplo a ser seguido. A história toda ainda será devidamente destrinchada, a ex-mulher possivelmente será procurada, mas sem qualquer alarde: quantas são as ameaças que viram estatísticas? Rodrigo e Sidnei são dois exemplares do machismo nosso de cada dia, do ódio que mobiliza a ações devastadoras e que não têm volta. Rodrigo, assim como Sidnei, já tinham um histórico de violência doméstica. Também destilaram o ódio e a frustração das respectivas vidas às mulheres que um dia foram companheiras deles. No caso de Sidnei, não houve tempo. De uma ameaça, virou um assassino. E sequer pagará pelos crimes, já que se matou depois da chacina para covardemente encerrar toda a ação que já foi absolutamente insana e covarde. Rodrigo está detido, mas sem materialidade de um crime contra a vida, não deverá ficar muito tempo sob a tutela da justiça.

Nos dois casos, a imprensa em geral tratou como “crime passional”. O nome certo é crime contra a mulher: um ainda na esfera da ameaça; o outro um feminicídio consumado. As coisas têm que ser chamadas pelo nome certo para que não haja confusão. Para que, amanhã ou depois, não se diga que o assassino teve um surto. Não é pontual. É construído. A misoginia é reflexo do machismo criado e sustentado pelo patriarcado. Antes do ato final, que é o de matar uma mulher, o agressor já dá sinais de que fará aquilo: desde com a violência psicológica até com ameaças como as que fez Rodrigo, que, no máximo, ficará assustado alguns dias com tudo o que ocorreu. A mentalidade, essa que teria que ser totalmente modificada, reprogramada, continua a mesma: a culpar mulheres e encontrar justificativas para a violência contra elas, pela mera condição de ser mulher.