Minas do Hip Hop fazem levante em defesa de vítima de violência

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Tudo começou com uma denúncia feita por uma jovem chamada Beatriz Cavaleiro Luna de que teria sido espancada pelo então companheiro Julio Cezar, mais conhecido como Mc Flow, de quem espera um filho. Ela postou um texto nas redes sociais explicando como tudo aconteceu, colocou imagens dos hematomas pelo corpo e o boletim de ocorrência que havia feito contra o agressor. Tudo aconteceu na virada do ano. Ontem (10), dez dias depois do ocorrido, o rapper decidiu dar o lado dele e, basicamente, disse que Beatriz estava desequilibrada e que teria forjado as agressões. A Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop não deixou por menos e publicou uma carta assinada com 15 representações estaduais da Frente e outros 44 coletivos e organizações ligadas ao movimento hip hop e/ou às causas feministas.

Segue a carta:

A Frente Nacional de Mulheres no HIP HOP recebeu uma denúncia de violência contra mulher. Primeiramente conversamos e prestamos orientação a vítima.

Neste momento, viemos por intermédio desta carta repudiar e se manifestar contra o agressor Julio Cezar, denominado FLOW MC, integrante do coletivo Afrika Kids Crew e da banca DaMassaClan, pelos motivos de agressões físicas e verbais à sua ex companheira Beatriz Cavaleiro Luna.

É inadmissível que alguém que faça parte de um movimento de origem periférica como o Hip Hop, se comporte com atitudes misóginas agredindo uma mulher, e ainda estando grávida. 

A versão dada pelo então agressor é uma técnica chamada Gaslighting – uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção, sanidade e se passar por louca perante os demais. Os ferimentos encontrados na vitima são desconexos ao seu discurso e não condiz com a estatística. Quantos casos de mulheres gravidas que forja uma agressão fazem um boletim de ocorrência, corpo delito e se expõe em redes sociais mesmo sabendo a represália que irá sofrer, apenas para atingir o seu companheiro? Em contrapartida, no Brasil, a cada sete minutos é denunciado um caso de violência contra mulher e em quase todos os casos a técnica Gaslighting é utilizada.

Exigimos urgentemente um posicionamento real dos coletivos que Flow MC faz parte. Omissão também colabora com a violência e também devem ser cobrados e se for o caso, boicotados.

Nós mulheres, não aceitaremos mais em nosso movimento, quaisquer homens que agridem, abusam, violentam ou possuam discurso de ódio. Não aceitaremos sermos objetificadas em seus videoclipes e subjugadas em todos os sentidos. Não Passarão!

A Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop em conjunto com a escritora e ativista Clara Averbuck estão tomando as devidas providencias para garantir a segurança da vitima e a Rede Feminista de Juristas já estão diretamente ligadas ao caso na tentativa de buscar justiça de forma judicial. Além de todas estas medidas, milhares de Mulheres estão levantando a voz contra o agressor e não nos calaremos até que os agressores machistas que se dizem do Hip Hop sejam cobrados.

Quanto ao MC, o microfone é um instrumento feito para quem possui palavras em compromisso com a música com essência da verdade, da liberdade, da igualdade, do respeito e responsabilidade.

Ressaltamos que esta não é somente uma luta das mulheres, todos os coletivos de Hip Hop que lutam para erradicação da violência contra a mulher podem se juntar a nós assinando e compartilhando esta carta de repudio.

Agora voltamos a um aspecto, o da carta defesa escrita pelo Mc Flow e publicada na fanpage dele, no Facebook. Independentemente do fato, da acusação, ele tem esse direito, o direito a se defender. O curioso é que só o fez 10 dias depois de estar sendo achincalhado e acusado publicamente de uma grave violência contra a companheira, grávida, que, segundo o relato da própria, foi abandonada no meio da rua, no dia 1º de janeiro, às 4 horas da manhã. Para além disso, ele inicia a carta com “Ridículo ter que se explicar (sic) da minha vida pessoal em redes sociais”. Amigo, você não está explicando sua vida pessoal, você sofreu uma acusação de espancamento por parte de sua namorada com quem dividia uma casa.

As minas chamaram o cara na responsa. A carta que ele escreveu não convenceu. Mas o fato objetivo é que um boletim de ocorrência de agressão foi feito e o caso está na Justiça, que é quem, a partir de provas e confrontamento de versões, irá decidir sobre as responsabilidades de ambos no ocorrido. As duas coisas importantes para não se perder de vista: a vítima nunca é culpada; o pré-julgamento, para que lado for, só serve para fomentar ódio e tem possibilidades de gerar injustiças.

Veja as fotos da agressão:

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