Contraceptivo masculino: a fertilidade do homem num botão

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Método contraceptivo masculino revolucionário pode ser mais uma saída para tirar da mulher toda a responsabilidade sobre a anticoncepção. Um clic e o homem “desliga” a linha de produção.

Um interruptor implantado no pênis poderá permitir ou não a passagem de espermatozoides. Essa invenção alemã pode em pouco tempo fazer as cirurgias de vasectomia algo ultrapassado

Parece brincadeira, mas o contraceptivo será como um botão de acender e apagar a luz. No entanto, ele decidirá quando a fertilidade que será “ligada” ou não.

Mais uma opção para o futuro da sexualidade e escolha, que possibilita uma inclusão cada vez maior do homem numa responsabilidade sexual, tornando-os homens reais parceiros na prevenção da gravidez sem que tenham que fazer isso de maneira definitiva (como ocorre com a vasectomia). O Bimek SLV, nome oficial do “interruptor de esperma”, foi desenvolvido pelo inventor alemão Clemens Bimek.

Segundo informações do site dos desenvolvedores do dispositivo, diferente de um vasectomia – que é um método praticamente definitivo -, o Bimek SLV funciona direcionando o fluxo do esperma de volta aos testículos quando ligado.

Se o homem quiser voltar a ser fértil, é so clicar no botão do contraceptivo implantado internamente no testículo, que pode ser sentido externamente através da pele e voltar a poder produzir normalmente.

“Tenho medo dessas coisas!”, confessa o paulistano Rodrigo Ramon dos Santos, empreendedor de 25 anos e residente na Zona Leste de São Paulo. Casado e com uma filha não planejada no seu relacionamento, ele acredita que o método parece bom, mas ao mesmo tempo “não natural demais”.

“Não sei e teria coragem de implantar um sistema dentro de mim para ligar e desligar minha fertilidade. Parece coisa de outro mundo! [risos] Mas, se eu tivesse isso em mim, com certeza teria esperado mais um tempo até trazermos minha filha ao mundo”, afirma.

Os desenvolvedores apontam que não haverá nada “mecânico demais” ou inumano no método. Além de ser reversível, outros pontos positivos seriam: ser uma tecnologia completamente livre de hormônios e que o implante pode ficar no corpo durante toda a vida, sem causar impossibilidade ou efeitos nocivos ou adversos – e muito menos estéticos -.

Os desenvolvedores explicam que o Bimek SLV é implantado numa cirurgia feita fora do corpo, que dura em média 30 minutos e feita com anestesia local.

O procedimento é simples. É realizada uma operação o canal espermático que é separado e logo após suas extremidades são conectadas ao dispositivo inicialmente desligado – permite a passagem do esperma -.

O método é tão simples, que logo após a sutura ser executada pelo médico, o paciente pode ir para casa.

A baiana de Feira de Santana, Jéssyca Silva, estudante de enfermagem, 19 anos, pondera pela resistência dos homens em sofrer quaisquer alterações no corpo para dividir a responsabilidade. “Se o assunto é tomar hormônios, eles não aguentam os efeitos. Se ha uma vasectomia que pode ser revertida, com um aperto de botão, eles também acham que é muito sacrifício. Machismo chegou aqui e nunca mais saiu”, argumenta e ainda ressalta: “E ainda tem mais: quando saio com um rapaz, levo sempre camisinha na bolsa porque é um tal de ‘me esqueci’ que vou te contar, viu!”.

Os responsáveis pelo Bimek SLV explicam que podem haver espermatozóides no fluido ejaculatório por até 3 meses (ou 30 ejaculações). Mesmo depois de ligado o dispositivo. Nesse meio tempo, a marca aconselha ao casal que use outro método contraceptivo e recomenda consultar um urologista e fazer um espermograma para detectar a quantidade de esperma no sêmen.

“Não vejo a hora dessas revoluções estarem presentes no mercado”, diz Mario Gonçalves, assistente contábil de 23 anos. “Acho perfeita a minha participação nestas questões que remetem ao fim do machismo e uma cumplicidade maior entre homem e mulher”, reflete.

Mario, num relacionamento fixo ha pouco mais de sete meses, ainda fala sobre o peso que recai sobre sua namorada. “Seria legal que ela não precisasse sofrer as cargas hormonais dos anticoncepcionais. Já está tentando a segunda pílula, porque a primeira a fez ficar muito mal, além de engordar alguns quilos”, conta.

O Bimek SLV ainda não foi oficialmente aprovado, pois precisa ser testado em seres humanos para verificar precisão, efeitos e segurança antes de chegar ao mercado.

Mas os criadores da técnica estão otimistas e acreditam que até 2020 o produto já esteja no pronto para aplicação.

Mais informações, no site.