Cine-Delas: olhar feminino no cinema brasileiro em foco

Crédito: Reprodução

Empoderamento e representatividade feminina em alta na segunda temporada da Mostra Cine-Delas. Os debates e ativismo em relação aos direitos das mulheres, e diversos protestos e campanhas mostram a importância da luta de igualdade de gênero tem ganhado espaço nas mais variadas esferas.

O Canal Brasil exibe a segunda temporada da Mostra Cine-Delas, que tem início já nesse fim de semana partir do sábado, 07 de janeiro. A sequência reforça a inserção feminil em funções antes dominadas pelos homens, dando a voz e vez a algumas das nossas grandes cineastas que tiveram e ainda têm papel fundamental na história do cinema brasileiro.

Começando no mês de janeiro e seguindo até abril, sempre aos sábados, o Cine-Delas traz um filme idealizado por uma diretora brasileira, das mais diversas naturalidades e sotaques.

Antes de começar a mostra, a cineasta Anna Muylaert entrevista a diretora responsável pelo filme para trazer ao público detalhes sobre os bastidores e suas motivações para o cinema.

O festival Cine-Delas exibe os seguintes filmes: À Queima Roupa (2015), de Theresa Jessouroun; Muitos Homens num Só (2015), de Mini Kerti; Ralé (2016), de Helena Ignez; Sem Controle (2007), de Cris D’Amato; Avassaladoras (2001), de Mara Mourão; De Gravata e Unha Vermelha (2014), de Miriam Chnaiderman; Amores Urbanos (2016), de Vera Egito; Califórnia (2015), de Marina Person; Elena (2013), de Petra Costa; Sinfonia da Necrópole (2016), de Juliana Rojas; Rânia (2012), de Roberta Marques; e Trago Comigo (2016), de Tata Amaral. Na estreia da nova temporada, Simone Zuccolotto entrevista a apresentadora da faixa, que comenta os detalhes da premiada produção de Que Horas Ela Volta? (2015).

Abaixo a programação completa da Mostra Cine-Delas:

Que Horas Ela Volta? (2015) (113’) Direção: Anna Muylaert (sábado, dia 07/01, às 22h e segunda, dia 09/01, às 00:15) – A indagação de um filho sobre o horário de retorno da mãe do trabalho, que dá nome à obra, parece inofensiva e cotidiana. A ausência de resposta, no entanto, é sintoma de um problema social grave, de inúmeros desdobramentos na vida do brasileiro. É o reflexo de uma herança indesejada da escravidão: a segregação entre pobres e ricos, senzala e casa grande, nordeste e sudeste. Anna Muylaert expõe as feridas abertas pelo preconceito e pela discriminação em película vencedora de prestigiadas láureas da sétima arte. Estrelado por Regina Casé e Camila Márdila, o filme conquistou o prêmio especial do júri – além de indicação ao grande prêmio – no Festival de Sundance (EUA) e o prêmio do público de melhor ficção na Mostra Panorama do Festival de Berlim (Alemanha), além de honrarias na Rússia, Holanda, Peru, Eslovênia e Brasil.

À Queima Roupa (2015) (94’) Direção: Theresa Jessouroun (sábado, dia 14/01, às 22h e segunda, dia 16/01, às 00:15) – O documentário de Theresa Jessouroun – uma coprodução entre o Canal Brasil e a Kino Filmes – parte da chacina de Vigário Geral, uma página triste e sangrenta da história do Rio de Janeiro, para falar sobre um dos maiores problemas da segurança na capital fluminense: o abuso de violência e a corrupção no órgão que deveria proteger o cidadão.
O longa-metragem faz uma dura apresentação dos fatos brutais que resultaram na chacina e na morte de 21 inocentes. Além de entrevistas de vítimas e de pessoas que perderam irmãos, filhos e amigos, o filme traz depoimentos de policiais, políticos, promotores de justiça, e imagens de arquivo que remontam cenas da carnificina a partir de testemunhos de sobreviventes.

Muitos Homens num Só (2015) (92’) Direção: Mini Kerti (sábado, dia 21/01, às 22h e segunda, dia 23/01, às 00:15) – Dr. Antônio foi apenas um dos codinomes utilizados pelo gaúcho Arthur Antunes Maciel, notório ladrão de hotéis do início do século passado. Suas falcatruas ganharam fama e atraíram a atenção de João do Rio – pseudônimo de Paulo Barreto, famoso repórter e cronista da época – e as mirabolantes aventuras sobre as trapaças do gatuno ganharam as páginas dos periódicos e, posteriormente, do livro Memórias de um Rato de Hotel, escrito pelo próprio jornalista em 1912. Mais de um século após a publicação, a diretora Mini Kerti adaptou a obra para o cinema, em filme estrelado por Vladimir Brichta, Alice Braga, Caio Blat e Pedro Brício. Esta coprodução do Canal Brasil conquistou 10 Calungas no Cine PE; entre eles, troféus de melhor filme, direção, ator, atriz e roteiro.

Ralé (2016) (73’) Direção: Helena Ignez (sábado, dia 28/01, às 22h e segunda, dia 30/01, às 00:15) – Transgressão sempre foi a marca registrada do trabalho de Helena Ignez. Seja como atriz em clássicos do cinema marginal como O Padre e a Moça (1966), A Mulher de Todos (1969) e Copacabana Mon Amour (1970), seja como diretora em Canção de Baal (2007) e Luz nas Trevas: a Volta do Bandido da Luz Vermelha (2010), a artista sempre buscou quebrar paradigmas e propor novas linguagens às suas obras. Em sua mais recente fita, a cineasta repete a parceria com Ney Matogrosso e sua filha, Djin Sganzerla – fruto do casamento com outro grande nome da sétima arte nacional, Rogério Sganzerla –, para adaptar o texto do dramaturgo e ativista político russo Maxim Gorki, em filme-ensaio que também conta com Zé Celso Martinez e Mário Bortolotto.

Com informações do Canal Brasil