MP do Rio vai investigar carta homofóbica a casal gay

Crédito: MPRJ

O MP (Ministério Público) do Rio de Janeiro afirmou que vai tomar todas as providências cabíveis e necessárias em relação ao caso do casal gay que recebeu uma carta com mensagens homofóbicas e racistas deixada na janela da casa onde vive, em Vicente de Carvalho, zona norte do Rio. O caso está sendo investigado pela 22ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal.

A carta, iniciada pela citação ao Levítico, livro da Bíblia, afirma que Deus não criou o homem para se relacionar com homem nem para a relação entre mulheres. Sem assinatura de autoria, o texto dizia também que “gente de cor e ainda por cima afeminada não está no nível dos que moram aqui”.

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A promotora de Justiça Eliane de Lima Pereira, da Assessoria de Direitos Humanos e de Minorias do MPRJ, disse que as investigações correm sem prejuízo às providências a serem tomadas nas Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania.

O caso motivou uma reunião no MPRJ com o estilista e ativista Carlos Tufvesson, ex-coordenador especial da Diversidade Sexual da prefeitura do Rio. O encontro aconteceu na última quinta-feira (26/01), com a promotora Eliane Pereira e o subprocurador-geral de Justiça de Assuntos Criminais e de Direitos Humanos, Alexandre Araripe Marinho.

Na reunião, o ativista afirmou que a liberdade de expressão religiosa não pode ser usada para discriminar um cidadão. Ele se mostrou preocupado com o aumento do número dos chamados crimes de ódio revelados por diferentes fontes estatísticas do Governo Federal e da ONU (Organização das Nações Unidas).

O subprocurador Alexandre Araripe disse que o Ministério Público atua em duas frentes contra o preconceito no Estado: pela repressão (por meio, por exemplo, da determinação da instauração de inquéritos policiais) e pela pacificação prévia (por meio do diálogo com esferas do poder público com poder de atuação).