Entenda porque os concursos de beleza estão morrendo na Argentina

Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Argentina é um país que sofre muito com a violência masculina. De acordo com o jornal local La Nación, há 50 ataques sexuais por dia e, entre 2008 e 2015, houve um aumento de 78% nos feminicídios no país.

Com o surgimento de movimentos como o Ni Una Menos, porém, o problema da violência contra as mulheres começou a ser cada vez mais colocado em pauta e algumas mudanças começaram a ser feitas. As mulheres começaram a sair mais às ruas e clamar por seus direitos.

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Uma das consequências do aumento das vozes feministas na Argentina é o fim de cada vez mais concursos de beleza pelo país. Em 2014, a cidade de Chivilcoy, na província de Buenos Aires, foi a pioneira nesse movimento. A Câmara dos Vereadores de Chivilcoy anunciou, em dezembro daquele ano, que aprovou um projeto que impedia concursos de beleza como o Reina de la Belleza (“Rainha da Beleza”) no município.

Carolina Zunino, integrante da comissão de direitos humanos da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA), foi a apresentadora da proposta. E ela explicou a importância da proibição desse tipo de concurso. “O projeto é contra a ideia da objetificação da mulher com concursos que medem e pesam as candidatas como se fossem vaquinhas”.

Depois do exemplo de Chivilcoy, cerca de outros 20 municípios argentinos decidiram seguir os mesmos passos e também proibiram a realização de concursos desse tipo. Um deles foi a Patagônia, no sul do país.

Agora, em janeiro de 2017, a cidade de Mar del Plata, balneário que fica a 400 km de Buenos Aires, anunciou o fim de um concurso muito famoso, o Miss Cola Reef (“Miss Bumbum Reef”).

Criado em 1993, o Miss Cola Reef reunia garotas magras de 19 a 25 anos e escolhia o melhor bumbum entre as competidoras. Elas ficavam de costas, com uma camiseta e a parte debaixo do biquíni. Exibiam seus bumbuns para o público e para a votação. A vencedora levava a faixa, uma coroa com flores e dinheiro. Além disso, podia colocar a vitória em seu currículo de modelo.

Em dezembro de 2016, porém, a companhia responsável pelo concurso anunciou o seu fim. Isso mostra como os questionamentos sobre a violência de gênero e os padrões de beleza vêm crescendo cada vez mais na Argentina. E o fim de concursos de beleza desse tipo são consequência direta da ação feminista no país.

O concurso da Reina del Mar (“Rainha do Mar”) de Mar del Plata, porém, ainda não foi finalizado. Ele continua acontecendo. A assessoria de imprensa de turismo da cidade, porém, afirmou que não é um concurso de beleza, mas sim a eleição de uma representante de turismo da cidade.As concorrentes, porém, se encaixam todas nos padrões de beleza. Altas, magras, jovens, etc.

Em comunicado, o movimento Ni Una Menos de Mar Del Plata afirmou que o concurso é “misógino e sexista, tem padrões hegemônicos de beleza, promove a bulimia, a anorexia e a depressão (..) É a reprodução da mulher como mercadoria, em meio a uma pandemia de violência de gênero e feminicídio”.
Com informações de BBC