Amamentação é incentivada pelo papa na Capela Sistina

Crédito:  arkhangellohim via VisualHunt / CC BY-SA
Crédito: arkhangellohim via VisualHunt / CC BY-SA

O papa pela amamentação. Francisco nos prova dia após dia que é um ser iluminado e, segundo a crença católica, é o homem mais próximo de Deus na terra. Este é o pontífice que vem “fugindo às regras” de etiqueta religiosa de uma maneira tão humana que fica difícil dizer que ele não tenha contato direto com Cristo. Dessa vez, ele declarou que, por se tratar de uma cerimônia longa, as mães não deveriam ter medo e caso os filhos sentissem fome, elas poderiam “sem medo, em toda simplicidade. Como a Madona amamentava Jesus”.

Isso, mesmo! Ele permitiu às mães darem o peito às suas crianças em pleno evento, na frente de todos, na Capela Sistina, se caso elas precisassem.

O convite feito pelo papa Francisco para que as mães não hesitassem em amamentar seus filhos se deu durante a cerimônia de batismo que conduziu no domingo, 8 de janeiro, no Vaticano.

O papa argentino aproveitou um momento de seu discurso e se dirigiu às lactantes: “A cerimônia é um pouco longa, alguém pode chorar porque está com fome. Se é assim, vocês, mães, devem dar o peito, sem medo, em toda simplicidade. Como a Madona amamentava Jesus”.

Marcela Vasconcelos, de 20 anos, teve sua vida inteira radicada dentro da igreja católica. Tia de dois espertos garotos de quatro anos de idade e apesar de não ter a experiência da lactação e ter um senso moral mais conservador, voltado para um comportamento mais discreto, ela entende a necessidade e concorda com a importância das declarações do papa.

“Eu não acho uma coisa bonita [amamentar em público] e isso é uma opinião pessoal minha, mas é importante que exista uma legislação, um amparo legal para as mães que sofrem com esse tipo de assédio, com quaisquer tipos de ofensas, isso não pode existir; uma mulher ser apedrejada, digamos assim, por conta de amamentar seu filho na frente das outras pessoas”, analisa.

Marcela é repórter e editora do jornal “O Magno” e também é membro da liturgia na Diocese de Guarulhos. Sua avaliação referente ao posicionamento do pontífice, no ponto de vista social, da saúde e também do impacto que a declaração causa ressalta a sensibilidade de Francisco para tratar dos assuntos polêmicos no mundo em  que vivemos.

“Acho importante a declaração do próprio pontífice em declarar que as mães nao devem se intimidar por seu filho querer se alimentar e ela ter que amamentar. Mais é a ação dele [Francisco], a fala dele. Isso mostra como cada vez mais temos um representante que nos represente de fato”, e conclui: “eu como católica, desde sempre, numa me senti tão representada por um papa. Acompanhei João Paulo II muito pouco, porque eu era muito pequena, e Bento IV e sempre comparo Bento IV com o papa Francisco”.

Durante a manhã na cerimônia, Francisco realizou o batismo de 28 crianças, 15 meninos e 13 meninas, como por vezes acontece durante o ano. A diferença deste ano se deu no local onde o evento aconteceu: na Capela Sistina, lugar onde os cardeais entram em conclave para eleger o novo pontífice.

Pelo direito de amamentar em paz

É uma questão que movimenta polêmica, também aqui no Brasil. Por que a nossa sociedade sexualiza a amamentação? Por que sacrificam as mães que se predispõe a naturalmente, ceder o peito aos seus filhos em público?

Pensando nisso, há um projeto de autoria da Senadora Vanessa Grazziotin que defende o direito à amamentação em público, tipificando criminalmente a sua violação.

Ou seja, a PLS 514/2015, que está no momento aberta pra consulta pública (que, até o momento desta publicação, está com quase 2000 votos à favor e menos de 60 contra) garante o direito à amamentação em público, transformando em crime a sua violação, que também ensejará indenização por danos morais à vítima.

Na justificativa do texto, a PLS explica: “a amamentação é parte fundamental para a vida e de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), é melhor maneira de proporcionar o alimento ideal para o crescimento saudável e o desenvolvimento dos recém-nascidos”, relembra que “é sabido por todo os inúmeros casos de mulheres que do constrangidas ou impedidas de amamentar em locais públicos” e conclui: “Uma mulher que tenha que ser confinada a uma sala reservada, contra a sua vontade, para a simples prática do ato de amamentar, não se mostra razoável”.