Acesso a métodos contraceptivos ainda é dificultado por causa do conservadorismo

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Eles estão nas igrejas, mas também entre aqueles que estabelecem quais devem ser os planos de políticas públicas de planejamento familiar. Os conservadores são os principais responsáveis pela dificuldade que muitas mulheres têm de ter acesso a métodos contraceptivos. É isso o que mostra um estudo feito pela IPPF/RHO (Federação Internacional de Planejamento Familiar/ Região do Hemisfério Ocidental).

Para chegar a tal conclusão, a entidade ouviu cerca de 100 especialistas em países latino-americanos como México, Colômbia, Argentina, Chile e Brasil. No nosso país, o conservadorismo ligado à religião é o que mais tem influência, de acordo com o levantamento; o que faz com que as brasileiras sejam as mulheres com menor acesso à proteção e planejamento familiar.

Outro ponto negativo observado no país se refere à educação sexual passada aos adolescentes nas escolas, já que o ensino não é obrigatório e as campanhas focam apenas na questão da prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e HIV e não se debruçam sobre a importância do planejamento familiar.

Para se ter uma ideia da diferença entre os países, enquanto na Argentina 64% dos pesquisadores ouvidos reconhecem que existem programas de sexualidade nos currículos escolares, no Brasil o índice é de 19,8%

Por outro lado, o Brasil é um dos mais avançados do que diz respeito à legislação e políticas de planejamento, já que conta com um sistema de saúde que distribui contraceptivos gratuitamente, apesar da falta de acompanhamento das pessoas que fazem uso deles.

Para os participantes da pesquisa, os dados são importante indicativo de que é preciso trabalhar mais na disseminação das informações sobre métodos contraceptivos, que permitem que as mulheres sejam cientes de que podem e devem escolher o momento ideal para exercer a maternidade.