Opinião: Somos todos Jean Wyllys

Crédito: Divulgação

Estou sendo punido por ser homossexual.”

                                                       Jean Wyllys

O conselho de ética da Câmara dos deputados, no dia 13/12, teve a defesa do relator do processo, o deputado Ricardo Izar ( PP – SP) pela suspensão por 120 dias do exercício do mandato do deputado Jean Wyllys (PSOL – RJ), por ele ter cuspido no deputado Jair Bolsonaro ( PSC – RJ), durante a votação da abertura do processo de impeachment da ex-presidenta Dilma Roussef.

Na sua fala, Izar usou trechos das representações contra Wyllys, que diziam que a cusparada do “Big Brother Deputado” era um comportamento que não era admitido nem no programa de TV em que o parlamentar se notabilizou.

Aliados do Bolsonaro afirmam que o cuspe foi premeditado, mesmo não tendo sido depois comprovado, por imagens de vídeos, pela perícia encomendada pelo conselho de ética.

Trata-se de um parecer persecutório, injusto e covarde. Nós homossexuais ou qualquer cidadão que pertencemos a minorias, sabemos o peso da penalidade injusta. Não estou aqui enaltecendo o comportamento do Jean Wyllys, mas não me sinto confortável em julgá-lo, afinal todos os dias exijo um esforço enorme para erguer a minha cabeça e tentar dialogar com empatia com quem me odeia.

Jean errou, porque se defendeu de maneira agressiva, reagindo as ofensas provocadas por seus carrascos psicológicos. Mas mesmo assim é a vítima. Sem o “coitadismo”, vítima de uma Câmara misógina, conservadora, fascista que demonstra não gostar da democracia.

Um Congresso composto de políticos de fichas sujas, corruptos não tem moral ética para puni-lo. Nós homossexuais temos que nos unir a favor da voz que hoje nos representa e que durante sua vida política não teve denúncias de corrupção ou abuso de autoridade.

É importante ressaltarmos que a conduta do Jean, cabe a Câmara julgar por se tratar de conduta de comportamento, enquanto a apologia a tortura feita por Bolsonaro, na mesma ocasião, se tratar de um crime ainda nem teve um parecer decisório da casa, está se arrastando com pedido de vistas ao processo.

Não cabe analisarmos a vítima. Precisamos dialogar francamente com os que de fato abusam de forma violenta de suas condutas. A casa do povo também nos representa e precisamos garantir que nela exija respeito a nossa sexualidade.