Sírio diz gostar mais do Brasil após projeto do Migraflix

Muito mais que apenas uma Ceia de Natal foi o que o sírio Talal Al-tinawi e família experimentaram com a iniciativa da Organização Não Governamental (ONG) Migraflix, ao criar o projeto Meu Amigo Refugiado.

A ideia permitiu que famílias brasileiras convidassem estrangeiros que escolheram o Brasil (ou foram escolhidos, pelo país) para salva-los das situações de risco em que se encontravam em suas terras natais.

Talal teve que deixar da Síria por conta da guerra civil que massacra o país. Tinha uma ótima profissão (Engenheiro Mecânico) e uma vida próspera, mas para preservar a integridade de seus familiares ele fugiu para o Brasil. Não há muita escolha entre salvar quem ama ou permanecer no país que está sendo assolado por um conflito, mas a falta de informação ainda pode causar certo preconceito.

Ao chegar em terras tupiniquins, a adaptação – algo visto como impossível pelos conservadores – aconteceu gradativamente.

O sírio já fala bem o português e percebe a importância do projeto do Migraflix em aproximar brasileiros de estrangeiros, porque apenas a integração cultural afasta o preconceito e a injusta discriminação.

“Era 10 de dezembro de 2014 quando cheguei ao Brasil. O Natal seria comemorado em 15 dias e o ano novo em 21 dias”, relembra o sírio refugiado em São Paulo com sua família há dois anos. “Eu fui à [Avenida] Paulista ver as comemorações de Ano Novo”. Em 2015 não foi muito diferente, mas para 2016, o “Meu Amigo Refugiado” permitiu a ele que dividisse a experiência de comemorar a festividade, pois foi convidado por una família brasileira.

Ele conta que em seu pais estas datas de fim de ano são dias comuns.

“Para nós, os sírios mulçumanos, o Natal é um dia normal. Não é um dia especial. Temos apenas duas festas por ano: o Ramadã e depois o Hajj. Esses são dias importantes”, explica, mas ressalta que há a simpatia por parte do governo com os sírios que comemoram as festividades: “Lá, o governo decretou como feriado e as pessoas não trabalham tanto no Natal, quanto no ano novo”.

Mas, Talal evidência o seu respeito e apreço pela data, que é comemorada em seu país no bairro de maioria cristã chamado Bab Touma. Ele revelou que passava o Natal com sua família percorrendo, de carro, as ruas do local para observar as decorações de natalinas.

Este ano, Talal passou o Natal com uma família brasileira e achou importante a integração, destacando o carinho com que foi recebido.

“Eu recebi um convite de uma família e fui participar para me aproximar ainda mais do [povo] brasileiro”.

Ele relatou que pediu para que alguns costumes pudessem ser adaptados e ficou muito satisfeito com o respeito, principalmente com a sua religião.

Foram poucos os pedidos. Segundo o sírio, aos anfitriões, solicitou apenas que não houvesse consumo de bebida alcoólica e consumo de carne de porco. Talal destacou que essa exigência foi aceita de bom grado.

“O que me ajudou a querer participar sempre do evento do cristão – o evento do brasileiro – foi o respeito com a minha religião”.

Sobre experiência de passar o Natal numa família brasileira, ele confessa que ter sido convidado para compartilhar essa festividade e ter sido tratado com tanto carinho e respeito, só o fez sentir-se cada vez mais apaixonado pela terra.

“A família me recebeu muito bem! A moça que me convidou, chamou todo mundo da família e todos me receberam muito bem. E isso… Essa coisa… Me fez gostar ainda mais do Brasil… Gostar mais de ficar no Brasil!”, declara Talal.

“Eu acho esse projeto muito importante! Pra ter contato com a cultura brasileira e pra o brasileiro conhecer minha religião, minha cultura. Esse projeto ajudou a um entender e respeitar a cultura um do outro”, reflete e entende que o projeto precise, não apenas continuar, mas se expandir: “Eu desejo que esse projeto continue, não pare e que ele cresça, para que haja um melhor contato entre o brasileiro e o refugiado”.

O sírio foi convidado por outra família de brasileiros para comemorar o Ano Novo e já está feliz com o resultado da troca cultural que o Meu Amigo Refugiado proporcionou, fazendo com que ele e família se sentissem cada vez mais integrados ao Brasil.