‘É clara a questão homofóbica neste assassinato’ diz padre Júlio Lancelotti sobre morte de Luis Carlos Ruas

Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

O Padre Júlio Lancelotti é conhecido por se colocar ao lado das pessoas em situação de rua e dos direitos humanos. Ele é um padre tolerante e que, ao contrário do que outros de sua profissão pregam, aceita pessoas independente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

No dia 27 de dezembro, terça-feira, houve um protesto no saguão da Estação Dom Pedro II, do Metrô de São Paulo, para relembrar e pedir justiça para Luis Carlos Ruas, 54, que morreu após ser espancado no local por defender duas travestis.

Dentre os protestantes, estavam membros da comunidade LGBTT, do Sindicato dos Metroviários de São Paulo e também da Arquidiocese de São Paulo. Todos eles trouxeram à tona a falta de segurança no metrô de SP. nas imagens das câmeras, é possível ver como nenhum segurança prestou socorros a Ruas.

O Sindicato dos Metroviários emitiu uma nota falando como a estação Dom Pedro II tem um problema de falta de funcionários e que já faz tempo que solicitam ao governo mais contratações para que não haja mais a escassez de funcionários e atendimento.

O Padre Júlio Lancelotti fez um minuto de silêncio em homenagem a Ruas e afirmou: “É clara a questão homofóbica neste assassinato. A nossa pressão é muito importante”. Ele também falou de como a questão social e o preconceito contra as pessoas mais pobres são problemas muito sérios e atuais: “Pessoas de rua não entram no metrô. Se entram, são colocadas para fora com truculência. Dois irmãos de rua, travestis, foram perseguidas e salvas pelo Luis”.

Mas o padre não fechou o seu discurso com uma fala negativa. Ele relembrou que isso é mais um motivo para a luta continuar e que as pessoas não devem desanimar: “Estamos acostumados a apanhar, a ter que correr e sermos perseguidos. O que importa é que continuamos no lado do amor. Não podemos desanimar”.