Riscos sofridos pelos povos indígenas no Brasil são os mais altos desde 1988

Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Um documento elaborado pela ONU (Organização das Nações Unidas), e que será apresentado nesta terça-feira (20) ao Conselho de Direitos Humanos, indica que os povos indígenas brasileiros enfrentam atualmente riscos mais graves do que em qualquer outro momento desde que a Constituição de 1988 foi estabelecida.

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Entre os principais problemas está a violência. Para se ter uma ideia, em 2007 o número de índios assassinados chegou a 92. Em 2014, no entanto, esse número havia aumentado para 138. A maior parte das mortes foi registrada em Mato Grosso do Sul. O local é palco de conflitos em razão da disputas de terras, causadas pela lentidão do Governo em demarcar terras ancestrais pertencentes a povos indígenas.

Em decorrência disso, não é incomum que índios sejam despejados, expostos aos riscos de viverem acampados em beiras de estradas ou até mesmo mortos nesses conflitos.

Para garantir que a vulnerabilidade desses povos seja reduzida, a relatora da ONU Tauli-Corpuz recomenda que estruturas como a Funai (Fundação Nacional do Índio) sejam fortalecidas e que as demarcações sejam aceleradas. Foi pedido ainda que líderes indígenas sejam identificados e colocados sob proteção do Estado em programas adequados e que investigações sobre os assassinatos sejam feitas e os responsáveis levados à Justiça.

No documento, a relatora questiona ainda a aprovação de projetos como Belo Monte e Tapajós, que provocaram impactos diretos sobre as comunidades indígenas.