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Pais veganos devem incentivar o veganismo entre os filhos desde pequenos?

Crédito: Pixabay
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Muito se diz e opina sobre o veganismo – de acordo com o site Seja Vegano, movimento “que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade”. Não raro, acusam-se seus praticantes de radicais. Um casal vegano pode escolher o veganismo para seus filhos desde pequenos?

A pergunta pode ser respondida por diferentes enfoques.. A princípio, se não há estranhamento que os pais escolham a religião de seus filhos (algumas das quais tem restrições alimentares), tampouco deveria haver para pais veganos que eduquem seus filhos para seguir este caminho – já que o veganismo, mais que uma dieta, é um estilo de vida.

Mas há o aspecto médico: a dieta vegana, em suas muitas variações (conforme os alimentos cujo consumo seja restrito), garante para a criança de todos os nutrientes que ela precisa para crescer sadia? A questão gera controvérsias. Consultas feitas à Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e à Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) trazem opiniões divergentes.

Discordâncias e consensos
A dra. Virgínia Weffort, médica pediatra, professora e presidente do Departamento Científico de Nutrologia Pediátrica da SBP, diz que a dieta vegana é contra-indicada, especialmente nos dois primeiros anos de vida, pela carência de nutrientes, como a gordura saturada (importante para desenvolvimento e mielinização dos nervos) e outros; além disso, pela característica de ser rica em fibras, dificulta a absorção de muitas vitaminas, especialmente as lipossolúveis.

A SVB, por outro lado, assegura não haver nenhuma contra-indicação: “a dieta vegana pode ser adotada com segurança desde a introdução alimentar, aos seis meses de idade”. Ressalvam, porém, “atenção a alguns nutrientes críticos para o desenvolvimento, sobretudo determinadas vitaminas e minerais, cuja suplementação pode ser necessária – tanto em crianças onívoras, quanto em crianças vegetarianas e veganas”.

A dra. Weffort indica, caso precise ser feita substituição à carne, que a pessoa consuma “verduras e hortaliças, leguminosas, cereais e tubérculos, sementes e suplementação para ferro, zinco, vitamina B12, vitamina D, cálcio, ômega 3 e ômega 6”. Por conta destas necessidades, ela diz ainda que “na adolescência, talvez possa ser a idade para se utilizar a dieta vegana, uma vez que nesta idade o indivíduo já terá condições para entender que deverá suplementar macro e micronutrientes”.

Há um consenso sobre a necessidade de suplementação: a associação vegana reconhece que há nutriente do qual não se conhece fonte vegetal segura: a vitamina B12. Mas ressalvam que “40% da população onívora também tem deficiência de B12. Então, a suplementação de vitamina B12 pode ser necessária – tanto em onívoros quanto em veganos”.

Sobre a aptidão de pais veganos para montarem as dietas de seus filhos, a médica pediatra diz que eles não a têm, e precisam solicitar o apoio de um pediatra nutrólogo e de um nutricionista. A associação vegana diz que todos os pais deveriam dar uma atenção especial à alimentação de seus filhos, sejam veganos, sejam onívoros.

Por fim, ambas alertam quanto às dietas desregradas, sejam onívoras, sejam veganas. Porém, a médica pediatra diz que uma dieta vegana pode ser tão ruim quanto uma dieta desregrada, já que ambas acarretam em distúrbios e carências nutricionais, conforme suas características. Os veganos enfatizam o equilíbrio da dieta, qualquer que seja.

O bem coletivo

Os pais naturalmente selecionam o que os filhos vão comer, tanto pela oferta de alimentos que disponibilizam quanto pelo exemplo que dão. Assim, caso optem por oferecer a  dieta vegana a seus filhos desde pequenos, convém a consulta a um profissional de saúde especialista em nutrição. Esta providência assegura as adequações devidas na alimentação de cada criança.

Expandindo a questão individual para o coletivo, o veganismo e suas vertentes fazem bem ao planeta. Além de poupar o sofrimento de outros seres vivos, também corta os custos exorbitantes para a criação de animais de abate: estima-se que para se produzir um quilo de carne, sejam consumidos 43 mil litros de água doce. O metabolismo desses animais produz 28% do metano dispersado na atmosfera – gás 21 vezes mais ativo que o gás carbônico na retenção de raios solares.

Então, desde que tomadas as devidas cautelas com o equilíbrio das dietas, os pais veganos não só podem educar seus filhos para serem veganos, mas provavelmente, devem fazê-lo.

 

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