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Mitos e verdades sobre alimentos fit, light, diet, zero e integral

Crédito: Pixabay
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Muitas pessoas vivem em busca de um corpo perfeito. E nessa procura, parar em frente às prateleiras de supermercado diante de embalagens que trazem palavras como fit, light, zero, diet é quase um ritual. Para muita gente o que cada uma dessas palavras quer dizer pode parecer óbvio, mas, ainda há quem se engane com relação aos efeitos. Para acabar com essas dúvidas, conversamos com as docentes do curso de Nutrição da Universidade São Camilo, Adriana Peloggia e Cristina Rebolho. Confira!

 

  • Qual a diferença entre fit, light, diet, zero e integral que vemos nas embalagens direcionadas a quem busca uma vida mais saudável ou precisa perder peso?

É comum encontrarmos no mercado produtos que apresentem termos como: light, zero caloria, zero açúcar, zero gordura, fonte de fibras, entre outros. Eles se referem às propriedades particulares do produto, relacionadas ao seu valor energético e/ou ao seu conteúdo de proteínas, gorduras, carboidratos, fibra alimentar, vitaminas e minerais, mas, para isso, precisam estar amparadas na legislação específica da ANVISA sobre Informação Nutricional Complementar (INC).

Dito isso, observando os produtos nas prateleiras dos supermercados podemos exemplificar a utilização de alguns termos presentes em seus rótulos:

Light: termo encontrado frequentemente em produtos gordurosos como margarina, requeijão,maionese, queijo processado, entre outros.Nesses casos, a alegação light indica que o produto apresenta a redução mínima de 25% do conteúdo de calorias e/ou gorduras quando comparado à versão convencional do mesmo alimento.Para a utilização do termo light é obrigatório que o alimento seja “comparado” a versão convencional e tenha menos gorduras e/ ou calorias, por exemplo. Outra obrigatoriedade nesses casos é que as empresas declarem a quantidade reduzida “junto” da alegação, como exemplo margarina: light 45% menos calorias.

Zero caloria e zero açúcar: muito encontradas, por exemplo, em produtos como refrigerantes, sendo que o termo “zero caloria” indica que o produto contém no máximo 4 calorias por porção, enquanto que o termo “zero açúcar” indica que o produto contém no máximo 0,5g de açúcares por porção.

Zero gordura: expressão presente, por exemplo, nos iogurtes e bebidas lácteas, indicando que o produto contém no máximo 0,5g de gorduras totais por porção.

Fonte de fibras: termo encontrado frequentemente em pães, biscoitos, barras de cereais entre outros, indicando que a porção do produto apresenta 2,5g de fibras.

Diet: é utilizado em alimentos para fins especiais, ou seja, alimentos com modificações no conteúdo de nutrientes para se adequar a diferentes dietas ou necessidades específicas como diabetes, hipertensão etc. Os produtos que podem adotar esses termos são:

  • Alimentos para dietas com restrição de nutrientes: carboidratos, gorduras, proteínas e sódio
  • Alimentos para controle de peso
  • Alimentos para dietas de ingestão controlada de açúcares

No mercado encontramos usualmente o termo “diet” em geleias, gelatinas, pós para pudim, chocolates etc., que são produtos classificados como alimentos para dieta com ingestão controlada de açúcares.

Nem sempre todos os produtos diet são os mais indicados para perda de peso. No caso do chocolate, é importante considerar que a quantidade de calorias pode ser igual ou maior comparada à versão tradicional.

Integral: é bastante adotado nos rótulos de pães, biscoitos e massas. Os produtos integrais apresentam na sua composição a farinha de trigo integral. Alguns consumidores dão preferência aos produtos integrais no lugar dos tradicionais por oferecerem mais fibras, vitaminas e minerais. Como escolher dentre tantas opções disponíveis? Considerando que os ingredientes de um produto devem constar no rótulo em ordem decrescente, o consumidor pode decidir sobre a sua escolha. Por exemplo, se o rótulo de um pão apresentar os dois tipos de farinha, integral e branca, deverá observar qual delas aparece primeiro na lista de ingredientes. Para saber qual das opções dos produtos integrais oferecem mais fibras, basta ler e comparar o teor de fibras na tabela nutricional.

A expressão “fit” não é considerada na legislação para indicar qualquer propriedade nutricional específica de um produto alimentício.

  •  De que tipos de ingredientes o consumidor deve fugir, caso contenha nos itens listados na embalagem?

Os rótulos auxiliam nas escolhas alimentares. O importante é o consumo consciente de qualquer que seja o alimento, considerando casos em que haja alguma restrição alimentar. O consumidor deve comparar os rótulos e dar preferência aos produtos com menores teores de gorduras, açúcares e sódio. É preciso não só atenção aos rótulos como também nas porções consumidas.

  • Apostar nesses alimentos é mesmo mais saudável ou pode ser uma armadilha?

O consumo de alimentos integrais é recomendado. No caso de alimentos light e diet vai depender da indicação do consumo. Se for para pessoas que necessitam da modificação de algum ingrediente por motivo de saúde, ele pode ser necessário. Por exemplo, a exclusão de açúcar para pessoas que tem diabetes. Mas, se a escolha por esses alimentos for uma opção, é sempre bom verificar a composição nutricional do alimento sem a modificação e comparar para ver se vale a pena a substituição. O chocolate diet, por exemplo, tem praticamente o mesmo valor calórico que o chocolate com açúcar, pois o açúcar é substituído por gordura, que também é um nutriente calórico. No caso da margarina e outros produtos gordurosos na versão “light”, acaba sendo uma opção interessante, pois algumas marcas oferecem esses produtos com menos da metade da gordura presente na versão convencional, mas é importante alertar sobre a quantidade consumida, visto que o seu consumo em excesso também pode ser prejudicial se comparado ao consumo moderado da versão tradicional.

  • Quais os riscos de consumir alimentos diet sem necessidade? Se é que existem…

De forma geral não há restrições para o consumo de alimentos diet. É interessante, como dito anteriormente observar a modificação que foi feita no alimento para ver se vale a pena consumi-lo.

  • Qual o melhor caminho para ter hábitos saudáveis para a vida toda e não ficar na “neura” de várias dietas?

Dietas restritivas ou dietas de moda podem ser prejudiciais à saúde, causando deficiências nutricionais devido às proibições alimentares. Além disso, tendem a ser abandonadas depois de pouco tempo, pois é difícil uma pessoa manter este tipo de alimentação tão limitada.

O Ministério da Saúde publicou em 2014 o Guia Alimentar para População Brasileira. Este documento traz recomendações sobre alimentação adequada, tanto do ponto de vista nutricional e alimentar, como também cultural. Ele pode ser acessado pelo link

http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf

 

Para ter hábitos alimentares saudáveis o Guia sintetiza suas informações em “Dez passos para uma alimentação saudável”:

1- Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação.

2- Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias.

3- Limitar o consumo de alimentos processados.

4- Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados.

5- Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, com companhia.

6- Fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura ou minimamente processados.

7- Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias.

8- Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece.

9- Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições feitas na hora.

10- Ser crítico quanto a informações, orientações e mensagens sobre alimentação veiculadas em propagandas comerciais.

 

 

 

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