New York Times denuncia homofobia no Brasil

Crédito: Reprodução Exile on Ontario St via Visualhunt.com / CC BY-SA

Um dos maiores jornais do mundo, o americano New York Times, lançou hoje (5 de julho) uma matéria que trata dos crimes de homo e transfobia no Brasil. O pais é alvo da atenção mundial por conta das Olimpíadas que acontecerão no Rio de Janeiro e o jornal americano decidiu denunciar o aumento da intolerância contra LGBTs.

A matéria começa comentando três crimes de homofobia que ocorreram no último mês: o assassinado de Gabriel Figueira Lima, 21, em Manaus, de Edivaldo Silva de Oliveira e Jeovan Bandeira, no sertão da Bahia e de Wellington Júlio de Castro Mendonça,  24, no Rio de Janeiro. Os três crimes são muito similares: todas as vítimas eram parte da comunidade LGBT e nenhuma delas foi roubada.

O texto sugere que o Brasil está confrontando uma epidemia de violência anti-gay. De acordo com o Grupo Gay da Bahia, quase 1.600 pessoas morreram no Brasil por conta de crimes de ódio contra LGBT nos últimos 4 anos e meio. Somos o país que mais mata transsexuais e travestis no mundo.

O jornal americano também afirma que o Brasil passa a imagem de um país tolerante. Isso ocorre porque o país vem introduzindo leis e normas para a promoção de segurança das minorias desde o final da ditadura. Fomos um dos primeiros países a oferecer vacinas grátis para o combate ao HIV/aids, o primeiro país latino-americano a reconhecer uniões entre pessoas do mesmo sexo, um dos primeiros do mundo a permitir a adoção de crianças por casais homossexuais. Além disso, em 2013, o Brasil legalizou o casamento homoafetivo.

Isso tudo, porém, não é o suficiente. O New York Times menciona o crescimento de grupos evangélicos intolerantes e de políticos evangélicos que fazem de tudo para barrar os direitos de pessoas LGBT e têm poder para influenciar mais pessoas a praticarem o ódio e a intolerância. Eduardo Cunha, Levy Fidelix, Marco Feliciano e Jair Bolsonaro foram citados na matéria.

Outro grande problema denunciado foi a intolerância policial. De acordo com relatos, “vítimas de violência anti-gay e transgênero dizem que elas geralmente experienciam uma ‘rodada de humilhação’ de autoridades da lei, algumas das quais são abertamente hostis a pedidos para que eles registrem um crime como sendo motivados por preconceito”.

Dudu Quintanilha, um fotógrafo de 28 anos, contou ao jornal que espancado no carnaval de São Paulo e, quando foi registrar o crime, os policiais se recusaram a considerar o ataque como um ato de homofobia. Outro caso parecido foi o de Antonio Kvalo, 34, um designer que foi atacado em 2008 no Rio de Janeiro. A polícia também se recusou a registrar o ataque como um crime de ódio. O ocorrido levou Kvalo a criar o site Tem Local?, que mapeia a violência contra LGBTs no Brasil.

Mapa de violência contra LGBT Crédito: Reprodução Tem Local?
Mapa de violência contra LGBT
Crédito: Reprodução Tem Local?

Os transsexuais e transgêneros são quem mais sofrem no Brasil. A matéria do New York Times cita a história de Gilson Borges Reis, 18, um estudante de Lauro de Freitas, Bahia, que foi atacado e esfaqueado por seu primo evangélico. O primo em questão foi detido, mas logo foi solto e Gilson e seu algoz vivem na mesma rua. O rapaz não tem proteção nenhuma e vive com medo.

O Brasil ainda tem muito o que mudar. Não basta passar a imagem de uma sociedade tolerante e ser palco de uma das maiores Paradas LGBT do mundo. É preciso reforçar a tolerância e políticas públicas em prol da comunidade LGBT. É preciso parar de matar pessoas por conta de sua identidade de gênero e identidade sexual.