12 atitudes que você acha naturais, mas que matam LGBTs

Crédito: Reprodução Anderson Riedel via VisualHunt / CC BY
Crédito: Reprodução Anderson Riedel via VisualHunt / CC BY

O ataque em uma boate LGBT, na Flórida (EUA), que deixou 50 mortos e 53 feridos, não foi apenas um atentado isolado. O que aconteceu foi só uma amostra do quão homofóbico é o mundo. Ele ter acontecido no meio de junho, o mês do Orgulho LGBT, diz muito sobre o teor do ocorrido.

Junho tem importância histórica desde 1969, quando ocorreu a Rebelião de Stonewall, um bar LGBT que sofria ataques sem justificativas, nos Estados Unidos (como se precisasse de justificativa). No dia 28 de junho de 1969, lésbicas, gays, bissexuais e trans decidiram agir e lutar pelos seus direitos. Isso iniciou o movimento moderno LGBT no mundo todo.

A homofobia continua intrinsecamente inserida em todas as culturas humanas. O movimento LGBT vem lutando contra isso há décadas e está começando a crescer e ter mais voz.

Muitos heterossexuais aderiram à causa e lutam lado a lado no movimento, porém as atitudes da cultura homofóbica ainda estão presentes e vivas. Não pense que você não tem nada com isso. Porque você tem. Nossa mentalidade é fraca e temos muito o que aprender. Saiba identificar algumas ações que são prejudiciais às pessoas LGBTs:

  1. Fazer piadinhas homofóbicas.
    O humor é usado como justificativa para o ódio. Nunca é “só uma piada”. O humor é uma forte arma formadora de opiniões e, quando usado para ridicularizar, estereotipar e estigmatizar o homossexual, se torna cúmplice de todas as barbaridades cometidas contra esse grupo de pessoas.
  2. Glorificar a “Cultura Gay”.
    Divas pop, memes engraçadinhos, glitter, bandeiras coloridas e gírias legais são elementos convidativos. Eles atraem vários heterossexuais que dizem estar no “Vale dos homossexuais”. É ótimo poder festejar com todo mundo, porém na hora da luta, os heterossexuais somem. Quando transformamos a festa em luta e pedimos mais direitos, estamos “engayzando” tudo. Ter a mentalidade de que gays, lésbicas, bissexuais e trans só servem para trazer sorrisos é inviabilizar nossa luta e o movimento.
  3. Reforçar estereótipos.
    Gay é afeminado, fútil, adora divas pop. Lésbica é masculinizada, “caminhoneira”, não se depila, tem cabelo curto. Bissexuais são promíscuos e indecisos. Estes são alguns estereótipos de sexualidade que são enfiados goela abaixo da sociedade. Eles ajudam a criar uma mentalidade intolerante contra os LGBT, além de invalidar aqueles que não se encaixam nesses “padrões”.
  4. Chamar homossexualidade de “homossexualismo”
    A palavra “homossexualismo” é problemática, pois o sufixo -ismo é usado para descrever doenças. A homossexualidade deixou de ser vista como doença em 1990, mas algumas pessoas insistem em ignorar esse fato. O que nos leva a…
  5. Se apoiar em “dados científicos” para justificar preconceitos.
    Alguns cientistas fazem pesquisas para provar que a não-heterossexualidade das pessoas é fator causado por doenças neurológicas. Vale lembrar que muitas coisas já foram tratadas como doenças ou disfunções, como, por exemplo, ser canhoto. Até onde a ciência é imparcial?
  6. Rejeitar sangue de homossexuais.
    Até 2004 os hemocentros brasileiros proibiam homens homossexuais de doarem sangue e, ainda hoje, eles são barrados na hora de fazerem uma doação. Mesmo com o escasso número de doadores e com testes nos sangues recebidos, o homossexual é visto como “sangue-ruim”. As ideias de promiscuidade e de que todos os homossexuais são portadores de DST são reforçadas.
  7. Usar a ingenuidade das crianças pra justificar seus argumentos.
    “Como eu vou explicar isso para o meu filho?” é uma frase muito usada por conservadores quando se trata qualquer demonstração de afeto entre duas pessoas LGBT. O falso moralismo é arma forte para tratar o amor LGBT como algo promíscuo e errado. Algo que crianças não podem saber e não entenderiam. Difícil é explicar como uma pessoa mata 50 outras. Explicar o amor não é difícil.
  8. Dizer que aceita, mas longe de você/da sua família.
    Ao falar que não aceitaria um filho ou parente LGBT, você está oprimindo mais ainda os LGBTs e, caso haja um na família (as chances são muitas), você contribui para o afastamento dessa pessoa e o medo dela por rejeição. Você contribui para o aumento exponencial do número de suicídios entre jovens LGBT.
  1. Falar em “privilégio gay”.
    Quando LGBTs pedem direitos, homofóbicos dizem que são privilégios. Esta mentira serve para marginalizar e privar esse grupo de ser completamente inserido na sociedade e tratado como igual. Casamento entre pessoas do mesmo sexo e leis que reconhecem a homofobia e a criminalizam servem para que todas as pessoas comecem a ter tratamentos iguais. Ter direitos específicos para impedir o ódio não é privilégio.
  2. Utilizar fatores biológicos para justificar preconceito.
    “Aparelho excretor não reproduz” não é razão para impedir LGBTs de terem acesso a direitos básicos. É puro preconceito. Mulheres na menopausa, pessoas inférteis, pessoas que usam preservativos e que não querem ter filhos também não usarão o sexo para reproduzir. Casamento, amor e relações sexuais não servem apenas para o propósito da reprodução. Casais homossexuais não reproduzem, mas podem adotar, e isso é positivo, pois só no Brasil há mais de 6,5 mil crianças a espera de uma família.
  3. Se embasar em preceitos religiosos.
    A religião é uma forma de pregar o amor e a aceitação. Falar que seu Deus não permite isso é ir contra tudo aquilo que ele próprio prega. Escolher passagens específicas para seguir e ignorar outras é ser intolerante e contribuir para a exclusão e rejeição dos LGBT na sociedade.
    No cristianismo, homofóbicos utilizam uma passagem do Antigo Testamento (já ultrapassado) para embasar seu ódio (Levítico 18:22: ” Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é”) porém ignoram outras passagens do mesmo livro (por exemplo, Levítico 19:27 ” Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba”). Fé seletiva não é fé.
  4. Ouvir e aceitar falas que utilizem os 11 pontos citados acima.
    Ao validar qualquer discurso que esteja presente nos pontos levantados no texto, você escolhe o lado do opressor e ajuda na desumanização e marginalização sistemáticas dos LGBTS. Não aceite discursos como estes. Não dê voz à intolerância.